Em uma medida sem precedentes para combater uma crise demográfica, as 47 prefeituras do Japão anunciaram hoje um investimento coletivo de 5,5 bilhões de ienes (aproximadamente R$ 173 milhões) para atrair e integrar trabalhadores estrangeiros ainda neste ano fiscal.
A decisão urgente surge após o fechamento de 441 empresas no último ano fiscal devido exclusivamente à escassez de funcionários. O recorde de fechamentos serviu de alerta para o governo japonês, que agora teme o risco de colapso de setores essenciais no país.
Resposta ao colapso demográfico
O investimento, confirmado por levantamento da emissora pública NHK, destina-se a financiar feiras de emprego internacionais, cursos intensivos de língua japonesa e subsídios para a instalação de novos residentes, como ajuda para compra de eletrodomésticos.
A verba será distribuída regionalmente, com Tóquio liderando os aportes com cerca de US$ 5 milhões, focado em serviços urbanos e tecnologia, seguido por prefeituras industriais como Mie e agrícolas como Ehime.
A medida é uma resposta direta ao declínio populacional acelerado do país. Dados oficiais revelam que a população de nacionais japoneses caiu 908.574 pessoas em 2024, a maior redução anual desde o início dos registros em 1968.
Com uma taxa de fecundidade estagnada em 1,15 filho por mulher e 29% da população acima de 65 anos, a força de trabalho doméstica encolheu para 73 milhões, criando um vácuo que a automação ainda não conseguiu preencher.
Metas de contratação
O governo estabeleceu uma meta agressiva para contratar até 1,23 milhão de trabalhadores estrangeiros até o final do ano fiscal de 2028. Este teto abrange o visto de “Trabalhador Especializado” (SSW) e o novo programa de “Emprego para Desenvolvimento de Habilidades“.
Os setores prioritários para este recrutamento em massa incluem:
- Cuidados com idosos;
- Construção civil;
- Agricultura e Pesca;
- Turismo e hospitalidade;
- Manufatura e fabricação.
Atualmente, o Vietnã responde por 25% da força de trabalho estrangeira no Japão, seguido pela China e Filipinas. O Brasil ocupa a sétima posição, com cerca de 134 mil residentes. As novas diretrizes visam diversificar essas origens e oferecer caminhos mais diretos de permanência para profissionais qualificados.




