Samuel Florêncio de Brito, de 15 anos, estudante do 2º ano do Ensino Médio no Sesi de Ribeirão Preto, criou um projeto para coletar e dar destino correto ao papel que sobra no verso das figurinhas do álbum da Copa do Mundo de 2026.
O material, conhecido como liner, costuma acabar em aterros sanitários.
A ideia surgiu depois que Samuel viu um vídeo explicando o problema:
“Tem algo que vem atrás da figurinha, esse papel não é adesivo e é altamente tóxico para o meio ambiente. Ele se chama liner. Pensei na hora em um projeto para reunir esses materiais aqui na escola”, contou o estudante.
O liner é um papel revestido por uma fina camada de silicone, usada para que a figurinha se solte com facilidade e seja colada no álbum.
Justamente por causa do silicone, o material não é aceito pela maioria das cooperativas e centrais de triagem de recicláveis, segundo Fábio Suetugui, conselheiro da Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap).

Quem recebe esse tipo de papel
No Brasil, a empresa Polpel, recicladora sediada em Guarulhos, afirma operar a única tecnologia da América do Sul capaz de transformar liners em celulose novamente.
O processo de separação é mantido em sigilo industrial, mas permite reaproveitar o material na fabricação de papel-cartão e papel-toalha.
“O primeiro desafio da reciclagem vem da vontade de fazer, da responsabilidade das pessoas e das empresas em dar um destino adequado aos materiais após o consumo”, afirma Ailton Alves, diretor-executivo da Polpel.
Até 10 de agosto, a empresa recebe liners enviados por pessoas físicas, escolas e condomínios.
Só na primeira semana de vendas, entre 30 de abril e 6 de maio, o aplicativo iFood vendeu mais de 563 mil pacotes de figurinhas e 7 mil álbuns, mais que o dobro do total comercializado durante toda a Copa de 2022, segundo dados da plataforma.
A expectativa é que o projeto continue recolhendo liners até o fim da Copa do Mundo, em 19 de julho, quando o interesse pelo álbum geralmente diminui.




