O Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo (MLIT) japonês planeja construir uma rodovia automatizada de 500 km entre Tóquio e Osaka, a Autoflow Road, dedicada exclusivamente ao tráfego de cápsulas de carga autônomas.
Segundo estimativas do próprio ministério, o Japão terá um déficit de 34% na capacidade de transporte de cargas até 2030, resultado da aposentadoria em massa de caminhoneiros, motoristas de carga e da escassez de novos profissionais no setor.
Sem solução, até 30% das encomendas feitas no país podem não chegar ao destino final dentro do prazo até o fim da década.
O volume de entregas de pequenos pacotes já dobrou nos últimos 30 anos por causa do crescimento das compras online, o que pressiona ainda mais a logística japonesa; segundo a imprensa japonesa, o país é o 3º maior mercado de e-commerce do mundo.
Como vai funcionar a rodovia
O sistema prevê faixas dedicadas, canteiros centrais adaptados e trechos subterrâneos, permitindo que as cápsulas circulem sem interferir no trânsito comum.
Depósitos automatizados ao longo da rota fariam o carregamento e o descarregamento das mercadorias usando empilhadeiras e drones, sem necessidade de operadores humanos no processo.
Cada cápsula poderia transportar até uma tonelada de carga, voltada principalmente para produtos agrícolas, pesqueiros e itens de primeira necessidade.
O sistema teria capacidade equivalente ao trabalho de 25 mil caminhoneiros por dia, segundo especialistas consultados pelo governo japonês.
O maior obstáculo até agora tem sido o custo. Um levantamento feito junto a empresas de construção apontou que um túnel subterrâneo custaria entre 40 e 460 bilhões de ienes por cada 10 quilômetros, o que coloca o financiamento como o principal desafio do projeto.
Quando o projeto sai do papel
O governo japonês já busca empresas privadas interessadas em participar do desenvolvimento da infraestrutura.
O primeiro trecho experimental, entre Tóquio e Osaka, tem início de operação previsto para 2027, com a implementação completa estimada para a década de 2030.



