A BBC anunciou o corte de até 2.000 postos de trabalho nos próximos dois anos, o equivalente a cerca de 10% dos 21.500 funcionários da emissora britânica.
É a maior onda de demissões da história recente da companhia, superando qualquer reestruturação dos últimos 15 anos.
O anúncio foi feito em 15 de abril de 2026, pouco antes da chegada do novo diretor-geral, Matt Brittin, ex-executivo do Google, que assumiu o cargo em 18 de maio.
A crise interna se intensificou com a saída de Davie e da então chefe da BBC News, Deborah Turness, em meio à repercussão de um conteúdo considerado enganoso sobre o presidente americano Donald Trump. O republicano acusa a emissora de difamação e move um processo de US$ 10 bilhões contra a companhia.
O que motivou os cortes
Segundo a emissora, é preciso economizar 500 milhões de libras adicionais dos custos operacionais anuais nos próximos dois anos, com a maior parte da economia prevista para o biênio 2027/28.
Os custos totais da BBC somam 5 bilhões de libras por ano.
Em fevereiro de 2026, a empresa já havia sinalizado a intenção de reduzir despesas em 10% diante da queda nas receitas e de mudanças no consumo de conteúdo audiovisual pelo público.
“Precisamos analisar tudo, e numa escala de 500 milhões de libras, inevitavelmente haverá escolhas importantes e difíceis”, afirmou Rhodri Talfan Davies, diretor-geral interino da BBC, ao programa Media Show, da BBC Radio 4.
Impacto também na liderança
Em maio, a BBC informou que o comitê executivo, formado pelos 12 membros mais bem pagos da emissora, incluindo o diretor-geral, terá o salário congelado no ano fiscal 2026/27.
A medida ocorre enquanto o sindicato negocia reajuste de 4,5% para os mais de 20 mil funcionários da empresa.
Os reajustes salariais costumam entrar em vigor em 1º de agosto e a decisão de congelar os salários da alta gestão busca dar sinal de equilíbrio interno enquanto a emissora avança com os cortes de pessoal ao longo dos próximos dois anos, com conclusão prevista para 2028.




