A Fox Corporation e a Roku anunciaram, nesta semana, a assinatura de um acordo definitivo para a aquisição da plataforma de streaming pela emissora, em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 22 bilhões (cerca de R$ 111 bilhões).
A operação, estruturada como uma combinação de dinheiro e ações, visa unir o portfólio de conteúdo ao vivo da Fox, como esportes da NFL, MLB e notícias, com a infraestrutura de distribuição de TV conectada da Roku, que alcança mais de 100 milhões de residências globalmente.
A fusão cria a terceira maior empresa de televisão dos Estados Unidos em audiência, se posicionando logo atrás do YouTube e da Disney. No entanto, a união também visa rivalizar com a Netflix, que permanece como líder isolado no segmento de streaming por assinatura.
Sinergia das empresas
De acordo com analistas, a lógica central da aquisição reside na união de dois dos maiores serviços de streaming gratuitos do mercado: o Tubi, da Fox, e o The Roku Channel. Dados recentes da Parks Associates indicam que o Tubi é o streaming gratuito mais utilizado em residências de banda larga nos EUA, com cerca de 80 milhões de espectadores mensais, seguido pelo The Roku Channel, com 60 milhões.
A combinação visa gerar US$ 400 milhões em sinergias de custos anuais até o segundo ano completo pós-fechamento, além de criar oportunidades de receita cruzada. A nova entidade controlará um ecossistema que abrange desde a produção de “conteúdo premium” ao vivo até a interface do usuário e a medição de dados de primeira mão em dispositivos de streaming.
Anthony Wood, fundador e CEO da Roku, permanecerá em um cargo executivo na empresa combinada e ingressará no conselho de administração da Fox. Wood destacou que a fusão permite acelerar a visão da Roku de inovar para espectadores e anunciantes, aproveitando a escala de conteúdo da Fox.
Reação da Netflix e concorrentes
Até o momento, a gigante do streaming ainda não se pronunciou sobre o novo movimento da Fox. No entanto, especialistas destacam que a aparente “falta de preocupação” da Netflix seria pelo fato de que a fusão Fox-Roku não compete diretamente com a empresa.
Enquanto a fusão cria um gigante do streaming gratuito, share de tela e publicidade nos EUA, a Netflix continua dominante no cenário global de streaming por assinatura.
Analistas de mercado, como os da LightShed Partners, observam que a aquisição dá à Fox alavancagem em negociações de direitos esportivos e publicidade, mas não substitui a necessidade de conteúdo original de alto orçamento que define a proposta de valor da Netflix.




