O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi recebido como herói ao retornar a Mogadíscio, sua cidade natal, após ser impedido de entrar nos Estados Unidos para atuar na Copa do Mundo de 2026.
O profissional, que seria o primeiro representante da Somália a trabalhar em uma edição do Mundial, desembarcou nesta quarta-feira (10) sob aplausos, homenagens e manifestações de apoio de autoridades e torcedores.
A recepção ocorreu poucos dias depois de Artan ter sua entrada negada pelas autoridades americanas ao desembarcar em Miami.
Segundo o governo dos Estados Unidos, a decisão foi tomada após uma análise de segurança que apontou supostas ligações com pessoas investigadas por envolvimento com organizações terroristas. O árbitro nega qualquer relação com atividades extremistas.
A Fifa confirmou que ele não poderá participar do torneio, mas afirmou que decisões migratórias são de responsabilidade exclusiva dos países anfitriões.
Trajetória do árbitro é símbolo nacional
Nascido em Mogadíscio, Artan construiu uma trajetória única para o futebol da Somália. Ele entrou para a lista internacional de árbitros da Fifa em 2018 e se tornou o primeiro somali a apitar partidas da Copa Africana de Nações.
Artan também atuou em jogos da Liga dos Campeões da África e foi eleito o melhor árbitro africano de 2025.
Por isso, o impedimento de participar do Mundial foi vista por muitos somalis como uma perda não apenas individual, mas também nacional, além de tudo, uma injustiça.
Durante a recepção em Mogadíscio, milhares de pessoas demonstraram apoio ao árbitro: autoridades locais destacaram que sua trajetória representa um exemplo para jovens atletas e profissionais do esporte em um país que enfrenta décadas de instabilidade política e conflitos internos.
Árbitro promete voltar em 2030
Apesar da situação, Artan afirmou que pretende seguir na carreira internacional e garantiu que continuará trabalhando para alcançar novas oportunidades nos próximos anos.
Em declarações após retornar ao país, ele agradeceu o apoio recebido e afirmou que espera estar presente na próxima Copa do Mundo, marcada para 2030 e que terá jogos em Portugal, Espanha e Marrocos.
Enquanto isso, o governo da Somália informou que busca mais esclarecimentos sobre o episódio por meio de canais diplomáticos e mantém contato com autoridades americanas e representantes da Fifa para entender os motivos que levaram à exclusão do árbitro do torneio.




