Quem planeja viajar para a Europa precisa estar preparado para enfrentar filas maiores do que o habitual nos aeroportos. A implantação gradual de um novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia (UE) está causando atrasos nos procedimentos de imigração, levando passageiros a perder voos e conexões.
O alerta veio de Rafael Schvartzman, vice-presidente regional da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), para a Europa. As declarações foram feitas a jornalistas durante a véspera da Assembleia Geral Anual da organização, realizada no Rio de Janeiro no início de junho de 2026.
O que é esse novo sistema?
O sistema se chama “EES“, sigla em inglês para Sistema de Entrada e Saída. A ferramenta foi criada para registrar eletronicamente as entradas e saídas de cidadãos de fora da UE no Espaço Schengen, substituindo parte dos carimbos manuais em passaportes por um controle digital com coleta de dados biométricos.
A implementação começou de forma gradual em outubro de 2025 e ainda está em fase de expansão pelos aeroportos europeus.
Problema nas filas
O tempo médio de atendimento por passageiro subiu de forma considerável com o novo sistema. Num procedimento comum, o processo leva entre 20 e 25 segundos. Com o EES funcionando normalmente, esse tempo pode chegar a cerca de 90 segundos por pessoa.
O problema é que esse aumento se combina com falhas técnicas, limitações de infraestrutura e falta de pessoal em alguns países. Quando todos esses fatores se somam, a espera pode ultrapassar três horas e chegar a seis, o que foi classificado pelo representante da IATA como inaceitável.
Schvartzman ressaltou que o setor já enfrenta dificuldades antes mesmo do pico da temporada de verão europeu, que vai de junho a setembro. Com o aumento do fluxo de passageiros nesse período, a tendência é que os gargalos se intensifiquem.
O que os passageiros podem fazer?
Apesar da inconveniência, o vice-presidente da IATA não desencoraja viagens à Europa, mas reforça que os viajantes precisam se planejar melhor. Chegar ao aeroporto com mais antecedência e pesquisar as condições do aeroporto de destino são passos importantes para evitar transtornos.
Para aliviar o problema a longo prazo, Schvartzman defende que os países europeus desenvolvam aplicativos e ferramentas digitais para que parte do processo de cadastro seja feita com antecedência, antes do passageiro chegar ao guichê.
O vice-presidente também defende que os países tenham margem para adaptar a aplicação das regras em situações de alta demanda, especialmente em aeroportos de grande fluxo internacional.
A expectativa é que o sistema se torne mais fluido conforme a infraestrutura for ampliada e os processos forem ajustados. Por enquanto, porém, a recomendação para quem viaja à Europa é de planejamento e paciência.




