Uma dívida de pouco mais de R$ 12 mil no cartão de crédito se transformou em quase R$ 800 mil em quatro anos. O caso, que envolve um cliente do Nubank no Distrito Federal, levou a Secretaria do Consumidor (Secon-DF) a notificar o banco para que preste explicações sobre as práticas de cobrança adotadas.
A dívida foi contraída em janeiro de 2022. O valor inicial era de R$ 12,3 mil e, ao longo de quatro anos, chegou a R$ 788 mil por conta da incidência de juros. O aumento representa mais de 65 vezes o montante original.
A notificação foi emitida na última segunda-feira (25). O banco deve justificar as práticas adotadas na cobrança de juros, encargos financeiros, crédito rotativo e parcelamento de fatura.
O que os especialistas dizem sobre os juros rotativos?
O cartão de crédito rotativo é um dos instrumentos financeiros mais caros disponíveis no mercado brasileiro. Quando o cliente não quita o valor total da fatura, o saldo devedor entra automaticamente no crédito rotativo, que pode acumular juros compostos mês a mês.
O Banco Central registrou taxas médias do rotativo que chegaram a superar 400% ao ano em determinados períodos recentes. Com esse nível de cobrança, uma dívida dobra de valor em menos de três meses e pode se multiplicar de forma acelerada ao longo dos anos, especialmente quando o cliente não consegue sequer cobrir os juros mensais.
O que o Nubank diz?
Em resposta ao caso, o banco informou que avalia continuamente os clientes com créditos em atraso e busca oferecer propostas de quitação. Segundo a empresa, as condições de renegociação variam de acordo com o perfil de cada cliente e podem incluir descontos e parcelamentos, acessíveis pelo aplicativo ou pelos canais de atendimento.
O banco também mencionou iniciativas de educação financeira como parte de suas ações voltadas à prevenção ao endividamento.
O que o consumidor pode fazer nesse caso?
Quem se encontra em situação semelhante tem algumas alternativas. A primeira é buscar a renegociação diretamente com o banco, que é obrigado a apresentar propostas. Caso a resposta não seja satisfatória, o consumidor pode registrar uma reclamação no Procon do seu estado ou na plataforma Consumidor.gov.br.
Em situações de cobrança abusiva, é possível recorrer ao Banco Central ou ao Judiciário para questionar a legalidade dos encargos cobrados. Juros compostos aplicados de forma excessiva podem ser contestados judicialmente, e há precedentes de revisão de dívidas nesses casos.




