O TikTok deixou de ser apenas um aplicativo de vídeos curtos para se tornar uma peça relevante na economia brasileira. De acordo com o primeiro Relatório de Impacto Econômico da plataforma no Brasil, produzido em parceria com a LCA Consultoria Econômica, o app pode ter gerado até 447 mil empregos no país em 2025.
Segundo especialistas, a novidade não foi recebida com tanta surpresa, especialmente porque mais de 60% da população brasileira usou o TikTok no último mês, de acordo com o mesmo levantamento. A plataforma passou a funcionar como vitrine, canal de vendas e ferramenta de aprendizado para micro e pequenos empreendedores.
Além de ter gerado empregos e alcançado ampla audiência entre a população brasileira, o levantamento também apontou que a rede social contribuiu com até R$ 37,3 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Alcance orgânico = motor de negócios
Um dos dados que mais se destacam no relatório é o comportamento dos empreendedores na plataforma. Segundo a pesquisa, 68% deles operam no aplicativo apenas com alcance orgânico, sem investir em anúncios pagos. O modelo de recomendação do TikTok, baseado em interesses e não no número de seguidores, é apontado como o principal responsável por isso.
Para 52% dos empreendedores ouvidos, a plataforma ajudou a alcançar novos mercados. Outros 51% afirmam ter ampliado a base de seguidores por meio de conteúdo não patrocinado. Isso representa uma grande mudança na forma como os pequenos negócios se promovem digitalmente.
O app teve até impacto fiscal
O estudo estima também que a plataforma gerou até R$ 4,9 bilhões em arrecadação tributária, com efeito multiplicador nos setores de logística, varejo e serviços.
O cálculo utiliza a matriz de insumo-produto do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas, por enquanto, considera apenas os impactos ligados ao “TikTok Ads”, o braço publicitário da empresa. O impacto total do “TikTok Shop”, o sistema de comércio eletrônico integrado ao app, ainda não foi contabilizado.
Destaque para pequenas empresas e crescimento do e-commerce
Esse avanço ocorre no contexto de uma transformação mais ampla no varejo digital brasileiro. A participação de pequenas empresas no e-commerce saltou de 4% em 2016 para 30% em 2024. Nesse contexto, o TikTok tenta assumir um papel diferente do tradicional marketplace, atuando como um espaço de descoberta de conteúdo que também converte em vendas.
Vale destacar que o próprio relatório reconhece uma limitação metodológica relevante. Os números calculam impactos brutos, mas não medem efeitos de substituição, ou seja, não é possível saber quanto desse consumo migrou de outras plataformas para o TikTok, em vez de representar crescimento genuíno.





