O Reino Unido está no centro de um debate que envolve saúde mental e a influência da tecnologia nos jovens. O governo britânico abriu uma consulta pública para avaliar a possibilidade de proibir menores de 16 anos de usar redes sociais, mas a proposta encontrou resistência no próprio parlamento.
Em março de 2026, a “Câmara dos Comuns”, uma das câmaras parlamentares do Poder Legislativo britânico, votou contra a proposta, por 307 a 173, mesmo após ter sido apoiada pela “Câmara dos Lordes”, outra casa legislativa, em janeiro. Ainda assim, o debate está longe de terminar.
De acordo com informações da imprensa local, a consulta pública encerrou nesta semana e o governo prometeu apresentar uma resposta oficial durante o verão europeu, entre junho e setembro.
A pressão para agir vem de vários lados. Entidades médicas do Reino Unido comparam os danos das redes sociais à saúde dos jovens aos do cigarro. A secretária de Estado para a Tecnologia, Liz Kendall, afirmou que, embora a Lei de Segurança Online já tenha introduzido medidas importantes, nunca foi concebida como um “ponto final”.
Modelo australiano como referência
A Austrália foi o primeiro país do mundo a implementar uma proibição de redes sociais para menores, com a medida entrando em vigor no fim de 2025. O Reino Unido chegou a estudar algo parecido, mas a proposta não passou pelo Parlamento. Outros países europeus, como França, Alemanha, Espanha e Grécia, também trabalham em regulações semelhantes.
Para embasar a decisão, o governo britânico conduziu testes com 300 jovens das quatro nações do Reino Unido ao longo de seis semanas, divididos em três grupos com diferentes níveis de restrição, desde o bloqueio total até o uso sem limitações.
Divisão entre especialistas
Nem todos concordam que uma proibição total seria a melhor saída. Entidades de defesa da infância, como a NSPCC e a Childnet, manifestaram receio de que um banimento total possa empurrar os jovens para ambientes online mais perigosos e menos monitorados.
Uma pesquisa da YouGov mostrou que 74% dos britânicos apoiam a proibição para menores de 16 anos, contra 19% que se opõem. Mesmo com apoio popular, a aprovação parlamentar se mostrou uma barreira diferente. A discussão deve continuar nos próximos meses, com uma resposta oficial do governo britânico prevista até setembro de 2026.





