A Grande Pirâmide de Quéops, em Gizé, no Egito, resiste há cerca de 4,6 mil anos por uma combinação entre geometria, fundação rochosa, distribuição de massa e câmaras internas.
A pesquisa analisou a resistência sísmica da pirâmide por meio de medições de ruído ambiente.
Segundo o artigo, os pesquisadores fizeram testes em 37 pontos do monumento, incluindo câmaras internas, blocos de construção e solo adjacente.
Estrutura reduz riscos em terremotos
Segundo os autores, a Grande Pirâmide combina base larga, centro de gravidade baixo e geometria simétrica.
Esses elementos ajudam a distribuir melhor as cargas e reduzem concentrações de esforço em pontos específicos.
Além disso, a construção sobre calcário sólido contribui para a estabilidade do monumento. A fundação limita efeitos associados a solos mais instáveis, que podem ampliar vibrações durante terremotos.
O estudo também aponta que câmaras internas interferem na resposta dinâmica da pirâmide. Essas estruturas ajudam a dissipar parte das vibrações e reduzem a amplificação em áreas sensíveis do monumento.
Medição comparou solo e monumento
Os pesquisadores usaram a técnica de razão espectral horizontal-vertical, Assim, o método compara vibrações horizontais e verticais para avaliar a resposta de estruturas e terrenos.
De acordo com a Scientific Reports, a análise mostrou diferenças entre o comportamento vibratório da pirâmide e o do solo ao redor. Essa diferença reduz o risco de ressonância entre terreno e construção.
A ressonância ocorre quando uma estrutura vibra em frequência próxima à do movimento externo. Nessa situação, o tremor pode ganhar amplitude e causar danos maiores.
Autores não falam em projeto
Entretanto, o estudo não afirma que os egípcios antigos projetaram a pirâmide especificamente para resistir a terremotos.
A Grande Pirâmide foi concluída durante o Antigo Império egípcio, entre 2600 e 2450 antes da era comum.
Portanto, sua preservação resulta da combinação entre desenho arquitetônico, escolha do terreno e qualidade construtiva.



