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Edição Semana 346

Os presos da Venezuela e a ditadura brasileira

A repulsa à barbárie não pode variar de acordo com as cores ideológicas do torturador

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João Pedro Farah
4 minutos de leitura 20.12.2024 03:30 comentários 3
Os presos da Venezuela e a ditadura brasileira
Vigília na Venezuela. Foto: Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos
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Prestes a ser novamente empossado, o ditador Nicolás Maduro acumula episódios de violações de direitos humanos contra quem reage à tirania.

Nos últimos dias do ano, o regime intensificou a perseguição a aqueles que rebelaram-se contra mais uma fraude eleitoral ocorrida em 28 de julho.

Até mesmo menores de idade foram detidos.

Segundo a ONG Foro Penal, 2.400 pessoas foram presas, entre elas 246 mulheres.

O número representa metade das detenções promovidas pelos militares brasileiros no primeiro ano da ditadura, que começou em 1964.

Além disso, a Venezuela ultrapassou Cuba como o país com mais presos políticos do continente.

A ditadura da ilha tem cerca de 1.100 presos políticos atualmente.

Nos últimos dez anos, 18 mil pessoas foram detidas por questões políticas na Venezuela.

28 de julho

A pressão internacional sobre Maduro ganhou força após os Estados Unidos e outros países reconhecerem o candidato oposicionista Edmundo González Urrutia como o presidente eleito.

Em novembro, a Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) encerrou o caso que contestava a fraude eleitoral do ditador.

Dois ex-candidatos presidenciais, Enrique Márquez e Antonio Ecarri, enviaram pedidos para que a Corte conferisse os números e abrisse os dados mesa por mesa.

A Sala Constitucional do TSJ, contudo, não divulgou os argumentos usados para validar o resultado oficial das eleições.

Prisões

Segundo a ONG Povea, 24 pessoas foram mortas e 200 ficaram feridas nos protestos contra as ilegalidades na eleição.

Desde o dia 28 de julho, estima-se que as forças de Maduro prenderam 2.400 pessoas.

A ONG Foro Penal, que atua em defesa dos direitos humanos na Venezuela, denunciou que 69 adolescentes, de 14 a 17 anos, estão presos.

O número dois de Maduro, Diosdado Cabello, admitiu a detenção ilegal de menores.

Os dois centros prisionais mais usados pelo regime foram Tocorón e Tocuyito, onde três opositores morreram sem receber assistência médica nas últimas semanas.

As duas prisões são destinadas a criminosos comuns.

Liderando a oposição venezuelana, María Corina Machado culpou Maduro pela morte deles.

Corina Machado pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) acusar o ditador de violações de direitos humanos.

Até mesmo um militar argentino, que viajava a Caracas para visitar a esposa e o filho, foi sequestrado sob a acusação de espionagem.

Cerco à Embaixada Argentina

A crise diplomática entre Venezuela e Argentina cresceu, após a retirada de todos seus integrantes de Caracas, piorou nos últimos meses. O prédio ficou sob a custódia do Brasil.

Em defesa do militar preso, o presidente argentino Javier Milei exigiu a soltura imediata e chamou Maduro de "ditador criminoso".

Neste mês, o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, denunciou a presença de um franco-atirador próximo à Embaixada Argentina.

Desde março, seis opositores da ditadura estão exilados sob a custódia do governo brasileiro.

Há negociações em curso para que eles consigam ser retirados, com segurança, do prédio oficial argentino.

Hipocrisia brasileira

A Comissão da Verdade apontou que 5 mil brasileiros foram presos somente no ano do golpe militar em 1964.

Do total, 600 ficaram detidos em navios e estádios de futebol.

Muitos dos críticos vorazes das violações cometidas pela ditadura brasileira, contudo, calam-se sobre os sequestros, prisões e torturas nos cárceres venezuelanos.

O governo Lula, cujos integrantes condenam acertadamente as barbáries no Brasil, nunca se opôs às barbáries do regime chavistas.

"Maduro é problema da Venezuela, não do Brasil", disse o presidente, em novembro.

Maduro e a ditadura brasileira assemelham-se nos métodos.

Entre eles, o de negar assistência médica aos presos políticos.

Nas últimas semanas, três venezuelanos que foram detidos depois de 28 de julho morreram nos cárceres venezuelanos, sem receber assistência médica.

A repulsa à barbárie não pode variar de acordo com as cores ideológicas do torturador.

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João Pedro Farah

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Comentários (3)

Maria Das Gracas De Souza Mayrink

2024-12-22 19:14:36

Governante com duplo padrão de comportamento


Clayton De Souza pontes

2024-12-21 09:00:43

O Maduro tem passado nebuloso com o Lula, que passa pano pra ele e pra outros ditadores, como o Putin. Vergonha de política externa imprestavel


Amaury G Feitosa

2024-12-20 10:18:13

o ditador assassino Maduro é tolerado, e temido pela ditadura comuNAZista em curso na Tupilândia dos Manés porque ameaçou denunciar o que sabe sobre a eleição do sátrapa da vez aqui? bom andar rápido pois Trump declarou que isto será um dos seus primeiros atos como presidente dos EUA.


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Comentários (3)

Maria Das Gracas De Souza Mayrink

2024-12-22 19:14:36

Governante com duplo padrão de comportamento


Clayton De Souza pontes

2024-12-21 09:00:43

O Maduro tem passado nebuloso com o Lula, que passa pano pra ele e pra outros ditadores, como o Putin. Vergonha de política externa imprestavel


Amaury G Feitosa

2024-12-20 10:18:13

o ditador assassino Maduro é tolerado, e temido pela ditadura comuNAZista em curso na Tupilândia dos Manés porque ameaçou denunciar o que sabe sobre a eleição do sátrapa da vez aqui? bom andar rápido pois Trump declarou que isto será um dos seus primeiros atos como presidente dos EUA.



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