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Edição Semana 357

O governo Trump é um canudo de plástico dourado

A despeito de todas as promessas de grandeza, os Estados Unidos estão se tornando um país mais mesquinho sob a guarda do atual presidente

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Jerônimo Teixeira
6 minutos de leitura 07.03.2025 03:30 comentários 3
O governo Trump é um canudo de plástico dourado
Donald Trump. Reprodução/redes sociais
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Volodymyr Zelensky foi ingrato e desrespeitoso. Eduardo Bolsonaro, ao contrário, provou ser um modelo de gratidão e deferência.

O presidente ucraniano comportou-se mal na audiência que teve com Donald Trump. Felizmente, J.D. Vance, o vice, estava lá no papel de mestre escola, para ensinar Zelensky que não é assim que se brinca com o amigo mais forte.

O deputado brasileiro nem chegou a se encontrar com Trump na excursão que fez pelos Estados Unidos no mês passado.

Ainda assim, fez questão de externar sua gratidão pela rede social de Elon Musk: “Thank you, mr. President”, escreveu ele no X, em 14 de fevereiro.

O agradecimento não dizia respeito aos enfrentamentos entre o governo americano e o ministro Alexandre de Moraes. Não: o filho Zero Três agradecia pela volta do canudo de plástico, item definidor da alma americana que havia sido banido pelos globalistas.

A publicação vinha acompanhada da foto de um canudo.

Faz dez anos que não visito os Estados Unidos. Das boas lembranças que guardei do país, nenhuma diz respeito ao material de que são feitos os canudos.

O deputado Bolsonaro terá outras convicções e paixões. Talvez considere que sorver sua Coca-Cola por um canudo de plástico é parte fundamental da experiência americana.

Cada um com suas manias. Só acho bizarro que se politize essas preferências miúdas.

Nesse ponto, a direita populista não é diferente da esquerda woke ou identitária. Ambas vivem segundo a máxima de que tudo é política.

Cores de roupa, brinquedos de criança, escolhas vocabulares, marcas de cerveja ou carro, filmes, músicas – os aspectos mais comezinhos da vida são regulados e vigiados por essas tribos políticas.

Não estranha que ambas pratiquem uma política mesquinha.

Ouro de tolo

A propalada ambição do trumpismo é recuperar a grandeza perdida dos Estados Unidos. Tal é seu slogan, "make America great again”, cujo acrônimo, MAGA, acabou dando nome ao movimento reacionário americano.

No pronunciamento que fez ao Congresso americano na terça-feira, o presidente anunciou o alvorecer de uma “era dourada” nos Estados Unidos. “Nosso espírito está de volta. Nosso orgulho está de volta. Nossa confiança está de volta”, disse Trump.

Estranha era de ouro essa, que depende de canudos de plástico. Será esse o ideal de país do MAGA – um gigante feito de quiquilharias brilhantes e poluentes?

Ao longo da hora e meia em que Trump falou aos congressistas, sua retórica alternou-se entre o ouro e o plástico.

O presidente encerrou o discurso com imagens heroicas do povo americano, descendente de desbravadores que cruzaram o oceano para encontrar seu destino comum em um "continente sem limites".

Evocou os heróis de Gettysburg e da Normandia, exaltou o Empire State Building e a represa Hoover, lembrou a vitória de seu país sobre o fascismo e o comunismo.

Esse tom épico, no entanto, não dominou a noite no Congresso. Os ressentimentos, implicâncias e fixações que fazem Trump ser Trump deram o tom.

Pontos baixos do discurso

O protecionismo, por natureza uma política comercial mesquinha, foi vendido como um sinal da força americana (o Brasil foi mencionado nesse contexto…).

O trabalho humanitário global da Usaid foi menosprezado a partir de uma meia dúzia de projetos esquisitos que a agência americana teria patrocinado – como o apoio à população LGBT em Lesotho, nação africana da qual, segundo Trump, “ninguém nunca ouviu falar”.

Joe Biden, o “pior presidente da história americana”, foi citado 13 vezes. Claro que acusar a mediocridade do antecessor é fácil – mas, a essa altura, também é desnecessário. Faz parecer que Trump não perdoou Biden pela derrota eleitoral que sofreu em 2020.

Houve acusações de fraude não substanciadas, exageros, grosserias – e muita gabarolice.

“Muitos afirmam que o primeiro mês da nossa presidência foi o melhor da história da nação”, disse Trump. Não esclareceu quantos ou quem são esses “muitos”.

Primeiro a América

Além do “make America great again”, outro slogan orienta o governo Trump: "America first" (Estados Unidos em primeiro lugar).

Essas duas palavras, em letra maiúscula, foram afixadas no alto da página oficial da Casa Branca na rede X no dia 28 de fevereiro – data do malfadado bate-boca entre o presidente ucraniano e seus anfitriões.

Faz sentido. A expressão “America first” está historicamente ligada ao isolacionismo.

Fundado em 1940, o comitê America First fez campanha para que os Estados Unidos não se envolvessem na Segunda Guerra.

A organização abrigava notórios antissemitas e simpatizantes do nazismo, como o magnata Henry Ford (malcomparando, o Elon Musk da época) e o aviador Charles Lindbergh.

(No romance Complô contra a América, Philip Roth imaginou um passado alternativo em que Lindbergh se torna presidente no lugar de Roosevelt, alinhando os Estados Unidos aos interesses da Alemanha. Recomendo a leitura.)

O novo isolacionismo americano quer rifar a Ucrânia ao invasor russo.

Em seu discurso, Trump disse que recebeu uma carta de Zelensky, e que o líder ucraniano está pronto para voltar às negociações, e que aceita até entregar os minerais e terras raras do país à exploração americana (a mentalidade mercantilista de Trump ficou encantada com as tais terras raras – e ensanguentadas – da Ucrânia).

O presidente americano só omitiu a expressão mais importante da carta: “sólidas garantias de segurança”.

Na vizinhança de Vladimir Putin, a Ucrânia só pode ter paz se as garantias contra uma nova invasão foram efetivas.

Resta esperar que a Europa ofereça essa salvaguarda.

Cena de filme

É uma das cenas mais poderosas de O aprendiz: Roy Cohn, advogado tubarão que ajudou Trump nos seus primeiros negócios imobiliários, está morrendo de Aids. Trump dá uma festa de aniversário para seu antigo mentor e o presenteia com abotoaduras de ouro. Cohn fica comovido.

Mais tarde, descobre que as abotoaduras são de metal vagabundo.

A era dourada que Donald Trump promete será de material ainda mais pobre.

Jerônimo Teixeira é jornalista e escritor

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de O Antagonista e Crusoé

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Jerônimo Teixeira

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Comentários (3)

Clayton De Souza pontes

2025-03-09 08:16:31

Muito bom. O Trump tem seus sabujos poderosos pra ajudar nessa intervenção geopolítica tresloucada que pode ter efeitos perversos globalmente


Albino

2025-03-08 08:32:12

Mais uma análise admirável! Obs.: “Nosso espírito está de volta. Nosso orgulho está de volta. Nossa confiança está de volta”, disse Trump. Lembrei-me do nosso Lulinha paz e amor: "O Brasil está de volta"! Estamos no mato sem cachorro!


Edilene Barreto

2025-03-07 16:27:01

Excelente artigo !!


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Clayton De Souza pontes

2025-03-09 08:16:31

Muito bom. O Trump tem seus sabujos poderosos pra ajudar nessa intervenção geopolítica tresloucada que pode ter efeitos perversos globalmente


Albino

2025-03-08 08:32:12

Mais uma análise admirável! Obs.: “Nosso espírito está de volta. Nosso orgulho está de volta. Nossa confiança está de volta”, disse Trump. Lembrei-me do nosso Lulinha paz e amor: "O Brasil está de volta"! Estamos no mato sem cachorro!


Edilene Barreto

2025-03-07 16:27:01

Excelente artigo !!



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