"Trump está venezuelando os EUA", diz Nobel de Economia
Para Paul Krugman, a abertura de uma investigação criminal sobre Jerome Powell não passa de uma tentativa de intimidação do Federal Reserve
O economista americano Paul Krugman (foto), vencedor do Nobel de Economia em 2008 por seu trabalho em geografia econômica e na identificação de padrões de comércio internacional, afirmou que Donald Trump está "venezuelando" os Estados Unidos ao abrir uma investigação criminal sobre Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Em artigo publicado no Substack, ele afirmou que ninguém no "completamente corrupto Departamento de Justiça" acredita que Powell tenha cometido qualquer crime, "além do crime de não fazer o que Donald Trump manda".
Para Krugman, a investigação não passa de tentativa de intimidação de Powell e do Fed.
"Trump e seus asseclas têm tolerância zero para a dissidência. Não importa quem você seja, se você se opuser a eles, eles tentarão arruinar sua vida de todas as maneiras possíveis, inclusive atirando em seu rosto."
O economista citou o manifesto de ex-presidente e integrantes do Fed em defesa de Powell, que afirmou: "É assim que a política monetária é feita em mercados emergentes com instituições frágeis, com consequências altamente negativas para a inflação e para o funcionamento de suas economias em geral. Isso não tem lugar nos Estados Unidos, cuja maior força é o Estado de Direito, que está na base do nosso sucesso econômico."
"Eu gostaria que eles tivessem sido capazes, só desta vez, de deixar de lado o jargão federal e usar uma linguagem simples, mas deixe-me traduzir: 'mercados emergentes com instituições fracas' significa nações do Terceiro Mundo como, por exemplo, a Venezuela — ou, como Trump diria, países de merda", acrescentou Krugman.
"Por coincidência, durante o fim de semana, Trump se autoproclamou 'presidente interino da Venezuela', o que definitivamente não é. Mas ele está venezuelizando os Estados Unidos", continuou.
Segundo Krugman, a tentativa de intimidar o Fed terá um efeito contrário ao desejado por Trump, de três maneiras.
São elas: deixará o Fed relutante em cortar as taxas de juros, mesmo que isso faça sentido; o banco, mesmo politizado, será forçado a elevar as taxas de juros, caso a inflação aumente e; poderia impulsionar as taxas de juros de longo prazo para cima, e não para baixo.
"De fato, embora as taxas de longo prazo não tenham sofrido grandes alterações após a revelação do ataque a Powell, elas na verdade subiram ligeiramente. Contudo, mesmo que Trump entendesse que seu ataque à independência do Fed teria um efeito contrário, ele ainda assim perseguiria Powell, porque está menos interessado em alcançar resultados políticos do que em punir qualquer um que o contrarie. Powell teve a ousadia de insistir em fazer seu trabalho em vez de se prostrar aos pés de Trump. Portanto, ele deve sofrer — pessoalmente", concluiu.
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