Quem é o novo presidente do Fed?
O histórico de Kevin Warsh ajuda a entender como ele pode conduzir o Fed após Jerome Powell e com pressão de Trump
Kevin Warsh, novo indicado por Donald Trump para presidir o FED a partir de 15 de maio, passou boa parte da última década criticando em público decisões que ajudou a tomar quando fazia parte do Federal Reserve.
Ex-governador do banco central entre 2006 e 2011, ele se tornou uma das vozes mais constantes contra o prolongamento dos estímulos monetários e contra o que vê como um alargamento informal do papel da instituição.
Quando estiver à frente dela, esse histórico deixará de ser apenas retórico e poderá funcionar como um possível roteiro para a política monetária americana.
Warsh chegou ao Fed em meio a um período turbulento. Participou da resposta à crise financeira de 2008, apoiou medidas emergenciais para estabilizar o sistema bancário e defendeu intervenções rápidas quando a confiança desapareceu.
Ao deixar o cargo, passou a sustentar que a exceção virou regra e que o banco central americano demorou a reconhecer os custos dessa estratégia, sobretudo no comportamento da inflação anos depois.
Formado em Stanford e Harvard, Warsh construiu carreira que combina mercado financeiro, política econômica e academia. Trabalhou no Morgan Stanley, atuou como assessor na Casa Branca na gestão de George W. Bush e, mais tarde, se tornou professor em Stanford.
Essa trajetória ajudou a moldar um discurso acessível ao público político e atento à reação dos mercados, algo que aumentou sua exposição no debate econômico pós-pandemia.
Desde 2020, Warsh vem atribuindo parte da alta de preços à leitura tardia do Fed sobre pressões inflacionárias e à comunicação que, segundo ele, perdeu objetividade ao tentar conciliar muitos objetivos ao mesmo tempo. Em artigos e entrevistas, defendeu uma atuação mais previsível e menos tolerante com desvios persistentes da meta de inflação.
A relação próxima com Donald Trump adiciona um elemento delicado ao seu perfil. Embora tenha evitado ataques diretos ao atual presidente do Fed, Jerome Powell, Warsh circulou com frequência entre aliados de Trump e foi cogitado para o cargo ainda no primeiro mandato do republicano.
Se sua indicação for aprovada pelo Senado, ele terá de administrar expectativas sobre sua autonomia em um ambiente onde Trump tem histórico de críticas e pressão por quedas nas taxas de juros.
Seus desafios seriam juros ainda altos para os padrões americanos, hoje entre 3,5 e 3,75%, dívida pública em trajetória ascendente e um mercado atento a qualquer sinal de interferência externa. O histórico de Warsh aponta para um Fed mais concentrado na estabilidade de preços. A incógnita é como essa expectativa resistiria quando a pressão viesse não só dos dados econômicos, mas também da Casa Branca e do Congresso.
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