PT do Rio declara apoio a Eduardo Paes
Diretório estadual aposta no ex-prefeito como principal palanque para o presidente Lula
O Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio de Janeiro oficializou apoio à pré-candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do Estado.
Em nota divulgada nas redes sociais, a sigla afirma que a candidatura do ex-prefeito carioca será o “principal palanque” do presidente Lula no estado.
"O Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro realizou, neste sábado, 18/4, reunião para discutir a organização partidária e os próximos passos da atuação política no estado. (...) Foi também aprovado por unanimidade o apoio à candidatura de Eduardo Paes s ao governo do Estado do Rio como principal palanque do PT e do presidente Lula", diz a nota.
Alinhamento com Lula
Recentemente, Waguinho Carneiro (Republicanos), ex-prefeito de Belford Roxo e um dos principais apoiadores de Lula, afirmou ter intenção de disputar o governo fluminense em 2026.
O argumento é que Paes, candidato já referendado pelo presidente, não ofereceria um apoio político de fato nos redutos eleitorais fora da capital.
Waguinho listou episódios que, segundo ele, evidenciam a ambiguidade do prefeito carioca em relação ao campo político do presidente.
Em setembro do ano passado, Paes manifestou solidariedade ao pastor Silas Malafaia, após uma ação da Polícia Federal, declarando: “Mexeu com Silas, mexeu comigo”.
O ex-prefeito de Belford Roxo também citou a escolha de Jane Reis como vice na chapa de Paes. Jane é irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias cuja família tem proximidade com os Bolsonaro.
Vacância
O cargo de governador segue ocupado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), Ricardo Couto, que assumiu a tarefa de governar o caos após o esvaziamento total da linha sucessória.
O novo pleito tenta estancar uma sangria institucional recente de um estado onde a cadeira de governador tornou-se, nas últimas décadas, um símbolo recorrente de malfeitorias.
A linha sucessória de Cláudio Castro, que renunciou antes de ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por compra de apoio político, ficou esvaziada desde que o seu ex-vice, Thiago Pampolha, foi indicado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Naturalmente, a cadeira seria assumida pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, a Alerj.
No entanto, o influente político de Campos dos Goytacazes acabou sendo preso por vazamento de informações de operação contra o deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho (CV).
Dino pede vista
O caso foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), que trata da modalidade da eleição para o mandato-tampão de governador e vice-governador do Rio de Janeiro.
Em 9 de abril, o ministro Flávio Dino pediu vista para analisar o tema após a publicação do acórdão do TSE sobre o julgamento que cassou o mandato de Castro.
Dessa forma, o julgamento foi suspenso. Antes de Dino pedir vista, o ministro Cristiano Zanin votou para que a eleição seja direto, com participação dos cidadãos, e o ministro Luiz Fux, por sua vez, votou para que o pleito seja pela via indireta, ou seja, os deputados estaduais escolheriam o governador e vice.
A melhor solução ao prestígio da Justiça Eleitoral é nós aguardarmos a consumação do julgamento. Por quê? A ministra Cármen [Lúcia] ontem disse com muita exatidão. O acórdão não foi publicado. Nós não temos os votos aqui. Eu, disciplinadamente, fui assistir ao julgamento na TV Justiça, mas obviamente eu não posso votar com base na TV Justiça, nós votamos com base nos autos”, falou Dino.
Para o ministro, a publicação do acórdão pelo TSE vai elucidar pontos que os integrantes do Supremo estão discutindo no julgamento sobre as ações do PSD.
Dino defendeu ainda que, enquanto o julgamento não for concluído, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, permaneça como governador interino.
Leia também: Gotham City fluminense
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)