Presidente do BC americano contra a "pressão contínua" de Trump
"O serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças", diz o presidente do Fed diante de acusação criminal feita por deputada
Presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell (foto) divulgou um vídeo na noit de domingo, 11, no qual se defende do que classifica como "ameaças" e "pressão contínua" do governo de Donald Trump.
"Na sexta-feira, o Departamento de Justiça entregou ao Federal Reserve intimações do grande júri, ameaçando com uma acusação criminal relacionada ao meu depoimento perante o Comitê Bancário do Senado em junho passado. Esse depoimento dizia respeito, em parte, a um projeto plurianual de reforma dos prédios históricos do Federal Reserve", diz Powell no vídeo, divulgado junto com um link para o texto no site do Fed.
A deputada federal republicana Anna Paulina Luna encaminhou formalmente em julho de 2025 à procuradora-geral Pam Bondi uma denúncia solicitando ao Departamento de Justiça a investigação de Powell por possível perjúrio e declarações falsas a autoridades federais.
A denúncia
A denúncia cita o depoimento de Powell perante o Comitê Bancário do Senado em 25 de junho de 2025, no qual ele negou a inclusão de itens de luxo — como uma sala de jantar VIP, mármore de primeira linha, fontes e um jardim na cobertura — na reforma de 2,5 bilhões de dólares do Edifício Eccles, do Federal Reserve.
Powell também disse que o Edifício Eccles “nunca passou” por uma reforma séria, o que é confrontado pelos republicanos.
"Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilidade em nossa democracia. Ninguém — certamente não o presidente do Federal Reserve — está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo", diz o presidente do Fed, que segue:
"Essa nova ameaça não se refere ao meu depoimento em junho passado nem à reforma dos prédios do Federal Reserve. Não se refere ao papel de supervisão do Congresso; o Fed, por meio de depoimentos e outras divulgações públicas, fez todos os esforços para manter o Congresso informado sobre o projeto de reforma. Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do Presidente."
"Intimidação"
Segundo Powell, "trata-se de saber se o Fed será capaz de continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas — ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação".
"Servi no Federal Reserve sob quatro administrações, tanto republicanas quanto democratas. Em todos os casos, desempenhei minhas funções sem medo ou favorecimento político, concentrando-me exclusivamente em nosso mandato de estabilidade de preços e pleno emprego. O serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças. Continuarei a fazer o trabalho para o qual o Senado me confirmou, com integridade e compromisso em servir ao povo americano", finaliza o presidente do BC americano.
A exemplo do que faz Lula no Brasil, Trump tem reclamado desde o início de seu segundo mandato da taxa básica de juros estabelecida pelo Fed. Nem o petista foi tão longe quanto o republicano, contudo, nas pressões públicas.
Em dezembro, o Fed reduziu a taxa básica de juros americana pela terceira vez seguida, sempre em 0,25 ponto percentual.
A taxa está atualmente em 3,5% ao ano, mas essas decisões de redução vêm poluídas pelo sentimento de interferência do presidente, que pressionou o Fed continuamente desde que retornou à Casa Branca.
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