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Por que o Planalto resiste a designar o Hezbollah como organização terrorista

Desde que Paraguai e Argentina cederam, no ano passado, às investidas do Departamento de Estado para declarar o Hezbollah como uma organização terrorista, o governo de Jair Bolsonaro sofre intensa pressão para replicar o gesto dos vizinhos. O principal front de resistência ao aceno, que marcaria um aprofundamento na cooperação com os serviços de inteligência...

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Redação Crusoé
3 minutos de leitura 27.08.2020 14:30 comentários 4
Por que o Planalto resiste a designar o Hezbollah como organização terrorista
General Heleno
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Desde que Paraguai e Argentina cederam, no ano passado, às investidas do Departamento de Estado para declarar o Hezbollah como uma organização terrorista, o governo de Jair Bolsonaro sofre intensa pressão para replicar o gesto dos vizinhos. O principal front de resistência ao aceno, que marcaria um aprofundamento na cooperação com os serviços de inteligência americanos, está no Gabinete de Segurança Institucional do ministro Augusto Heleno. 

Interlocutores relatam que o general -- tido como um dos mais próximos de Bolsonaro -- não vê prioridade na medida. A Crusoé, Heleno disse que “trata-se de tema sensível e a posição do GSI será apresentada, no momento oportuno, ao Presidente da República”. 

“O primeiro passo para frustrar organizações terroristas como o Hezbollah é reconhecê-las como tal. Vários países do Hemisfério declararam recentemente o Hezbollah uma organização terrorista, incluindo Argentina, Paraguai, Colômbia, Guatemala e Honduras”, afirmou a Crusoé um porta-voz do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, que pediu a reserva do nome. 

O Planalto teme também que uma posição mais dura em relação ao Hezbollah atraia ataques terroristas para o país. Outra fonte de preocupação vem da presença do Brasil no exterior: irritar o Hezbollah pode colocar em risco o contingente brasileiro que ainda atua na Força Interina da ONU no Líbano e colocar um alvo nas embaixadas e consulados do país. 

“Um diplomata da embaixada argentina comentou com colaborador meu que a designação do Hezbollah como organização terrorista foi muito apreciada pelo governo norte-americano, mas que este passo enseja agora preocupação com a segurança das representações diplomáticas argentinas”, escreveu no ano passado o embaixador Nestor Forster Jr., encarregado de negócios do Brasil em Washington, em telegrama ao chanceler Ernesto Araújo. 

Fontes diplomáticas apontam, ainda, que a tradição brasileira neste assunto é a de não tomar medidas unilaterais. Historicamente, o Itamaraty defende que esse tipo de designação deve seguir as deliberações do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Investigações das autoridades americanas indicam, há mais de uma década, que o Brasil faz parte da rota de lavagem de dinheiro e financiamento à organização libanesa, que opera ao lado do crime organizado brasileiro na Tríplice Fronteira. “Estamos preocupados com a capacidade das organizações criminosas e terroristas transnacionais de transportar mercadorias, dinheiro, armas, madeira extraída ilegalmente e pessoas ilegalmente através das fronteiras internacionais, inclusive na América do Sul”, explicou a Crusoé o mesmo porta-voz do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado. 

“Apoiamos os esforços do Brasil para fortalecer suas leis de combate ao terrorismo, contrabando de pessoas e imigração ilegal. Também apoiamos a cooperação que o Brasil está desenvolvendo com seus vizinhos para enfrentar os riscos e ameaças transnacionais e garantir o controle dos fluxos legais através das fronteiras, ao mesmo tempo em que põe fim às atividades ilegais”, completou. “O Hezbollah e seus apoiadores continuam a arrecadar fundos na região, incluindo a Área da Tríplice Fronteira (TBA), onde Argentina, Brasil e Paraguai se encontram. O Hezbollah usa esse financiamento para promover sua agenda terrorista." 

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Comentários (4)

Odete6

2020-08-27 21:02:15

Parece previdente. Porém, negligenciar as atividades desses terroristas assassinos nas fronteiras, equivale a alimentar os marginais. É preciso, no caso, cortar o mal pela raiz.


Veronica

2020-08-27 20:43:51

O Brasil tem que rever sua vocação histórica de apoio ao crime organizado.


Luiz

2020-08-27 18:30:35

O terrorismo nosso está em Brasília, no STF.


Lilian

2020-08-27 16:34:27

O Brasil tem que se desligar dessas relações com o crime organizado, ou jamais seremos um Estado.


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Odete6

2020-08-27 21:02:15

Parece previdente. Porém, negligenciar as atividades desses terroristas assassinos nas fronteiras, equivale a alimentar os marginais. É preciso, no caso, cortar o mal pela raiz.


Veronica

2020-08-27 20:43:51

O Brasil tem que rever sua vocação histórica de apoio ao crime organizado.


Luiz

2020-08-27 18:30:35

O terrorismo nosso está em Brasília, no STF.


Lilian

2020-08-27 16:34:27

O Brasil tem que se desligar dessas relações com o crime organizado, ou jamais seremos um Estado.



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