Adriano Machado/Crusoé

PF aponta reunião com empresários e relatório do Coaf como suspeitas contra Salles

19.05.21 10:23

No pedido feito ao Supremo Tribunal Federal para deflagrar a operação que fez busca e apreensão e quebrou os sigilos bancário e fiscal de Ricardo Salles (foto), a Polícia Federal aponta como suspeitas envolvendo o ministro do Meio Ambiente uma reunião dele com representantes das empresas que tiveram produtos florestais apreendidos e um relatório do Coaf que revela transações financeiras atípicas no valor de 14,1 milhões de reais na conta do escritório de advocacia do qual Salles é sócio.

Segundo a PF, a suspeita é de que Salles atuou junto ao Ibama para beneficiar duas empresas que teriam feito “exportações ilícitas de produtos florestais” do Brasil para os Estados Unidos. O órgão revogou uma instrução normativa em fevereiro do ano passado, após as apreensões de produtos florestais do Pará exportados ilegalmente pelas empresas Ebata Produtos Florestais e pela Tradelink Madeiras Ltda.

A PF afirma que no mesmo dia em que o Ibama referendou os pedidos dos exportadores de madeira, Salles teria se encontrado com representantes das empresas junto com o presidente do Ibama, Eduardo Bim, que foi afastado do cargo junto com outros oito agentes públicos nesta quarta-feira, 19, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Foi Moraes quem autorizou a operação Operação Akuanduba, que investiga Sales por suspeita de crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando na exportação de madeiras da Amazônia. Segundo a PF, o “atendimento integral e quase que imediato” da demanda formulada pelas empresas contrariaram parecer técnico elaborado por servidores do Ibama, “legalizando, inclusive com efeito retroativo, milhares de cargas expedidas ilegalmente entre os anos de 2019 e 2020”.

A PF apresenta ainda o depoimento de um servidor que atua no setor de fiscalização do Ibama chamado Hugo Leonardo Mota Ferreira, no qual ele diz que um assessor especial de Salles passou a atuar de forma direta no Ibama e defender os interesses das empresas autuadas. O assessor Leopoldo Penteado Butkiewicz também foi um dos alvos da operação desta quarta-feira e afastado do cargo pelo STF.

No pedido, os policiais destacam ainda que Ricardo Salles, dois agentes públicos e parte das empresas investigadas tiveram, nos últimos anos, “inúmeras comunicações ao Coaf por operações suspeitas”. No caso de Salles, segundo a PF, as transações financeiras atípicas envolveram a conta bancária do escritório de advocacia do qual o ministro é sócio. Foram 14,1 milhões de reais entre janeiro de 2012 e junho de 2020. Salles foi levado na manhã desta quarta-feira para prestar depoimento na superintendência da PF em Brasília.

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  1. 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼 O MESMO COAF, RETIRADO EM ABRIL DE 2019 DO CONTROLE DO ENTÃO MINISTRO DA JUSTIÇA, SÉRGIO MORO, para proteger corruptos importantes e poderosos, vem novamente prestar um inestimável serviço ao país...

  2. 14 milhões em 8 anos são menos R$ 146mil por mês, valor que pode ser razoável para a atividade de um escritório tório de advocacia. Gostaria que a reportagem aprofundasse melhor está questão. genérica assim a afirmação não é boa

    1. Realmente, oito anos de movimentação financeira para quê se o Salles é Ministro a menos de três anos? Só para inflar os números?

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