Conhecimento sobre o Holocausto ainda é limitado no Brasil
Levantamento aponta que 59% afirmam conhecer o período, mas apenas 53,2% o definem corretamente
Pesquisa encomendada a pedido de entidades judaicas revelou que 59% dos entrevistados afirmam ter algum conhecimento sobre o Holocausto.
No entanto, apenas 53,2% sabem definir o período corretamente como extermínio sistemático de seis milhões de judeus pelo regime nazista.
Segundo o levantamento, 38,5% identificam corretamente Auschwitz-Birkenau como um campo de extermínio, enquanto 51,6% declaram não saber responder.
Escolaridade
O principal fator determinante para o nível de conhecimento acerca do tema é a escolaridade.
A pesquisa indicou que o ensino fundamental apresenta 27,2% de acerto na definição do Holocausto, enquanto a pós-graduação alcança 86,2%.
A renda familiar segue o mesmo padrão: 42,6% de acerto entre entrevistados com renda de até dois salários mínimos, contra 87,1% entre aqueles com renda acima de dez salários mínimos.
Fonte de informação
Entre os entrevistados, 30,9% afirmaram ter aprendido mais sobre o tema no ambiente escolar, enquanto 18,6% citaram filmes como principal fonte de informação.
Já 12,5% disseram ter obtido conhecimento por meio das redes sociais, e apenas 1,7% por museus e memoriais.
Entrevistados que se informam prioritariamente pelo YouTube apresentam taxas de acerto superiores às daqueles que utilizam o WhatsApp como principal fonte de informação.
Apesar das lacunas de conhecimento, 64,4% consideram fundamental o ensino do Holocausto nas escolas, e 56,6% atribuem papel prioritário a museus e memoriais.
O engajamento prático é extremamente baixo: 87,3% nunca participaram de palestras, eventos educativos ou visitas a museus relacionados ao Holocausto.
"Os resultados indicam que o desconhecimento sobre o Holocausto no Brasil é significativo e estruturalmente associado à desigualdade educacional. Embora haja reconhecimento social da importância do tema, falta acesso sistemático e qualificado à educação histórica", diz a conclusão pesquisa.
Metodologia
Ao todo, foram realizadas 7.762 entrevistas em 11 regiões metropolitanas brasileiras.
A margem de erro é de 4,7%.
A pesquisa foi encomendada pela Confederação Israelita do Brasil, o Memorial do Holocausto de São Paulo, o Museu do Holocausto de Curitiba e pela StandWithUs Brasil ao Grupo ISPO.
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