O tabuleiro do Irã após Khamenei
Eliminação do aiatolá abre uma disputa pelo poder que pode ir da sucessão clerical a um golpe militar, rebeliões internas e apoio aos curdos
A eliminação do aiatolá Ali Khamenei não representa automaticamente a queda do regime teocrático.
A principal missão dos Estados Unidos é destruir as capacidades estratégicas do Irã: o programa nuclear, marinha e desmantelar o sistema de mísseis.
Uma das hipóteses passa por ações militares de Israel e dos EUA com objetivo de neutralizar todo o alto escalão iraniano.
Enquanto isso, os clérigos seguem reunidos para definir a sucessão, e um conselho de três integrantes mantém o controle do país.
Do lado israelense, o desejo de derrubar o regime é explícito.
O ministro da defesa, Israel Katz, disse que seu país eliminará qualquer sucessor que seja hostil a Israel.
Golpe militar
Outra possibilidade envolve uma tomada de poder pelas Forças Armadas iranianas.
A ascensão de uma liderança militar mais pragmática e menos ideológica poderia marcar o fim do regime teocrático.
"Seria um cenário benigno para os Estados Unidos. Teria alguém mais moderado. Qualquer membro da Guarda Revolucionária seguirá os princípios do regime. Eles têm a mesma visão do antiamericanismo", afirma Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios do Oriente Médio.
Rebelião
Outra alternativa seria uma rebelião interna, com apoio dos EUA e Israel.
Após a eliminação de Khamenei, Trump chegou a defender que os próprios iranianos assumissem o controle do país quando os bombardeios diminuíssem.
Como parte dessa estratégia, os EUA têm atacado delegacias de polícia e bases da milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária, em uma tentativa de enfraquecer os mecanismos de repressão.
"Esses ataques também são uma forma de enfraquecer essa repressão. Mas a população está com medo de tomar tiro do próprio governo, além dos bombardeios. Por isso, os EUA falam em campanhas que vão durar semanas", explica Rudzit.
Curdos
Segundo a CNN, Trump, conversou com a liderança curda no Iraque para apoiar grupos curdos iranianos em uma eventual ofensiva contra o regime.
Desde a queda de Saddam Hussein, os curdos iraquianos possuem ampla autonomia e estrutura militar.
Ainda assim, há preocupações sobre uma escalada fora de controle.
Já o curdos iranianos têm menor capacidade de organização e treinamento, e qualquer movimento desse tipo enfrentaria resistência da Turquia, que historicamente combate movimentos curdos turcos e sírios.
Além disso, nem todos os curdos do Iraque demonstram disposição para confrontar diretamente o Irã, enquanto os curdos que vivem em território iraniano seguem sendo alvo frequente do regime.
Saída à Venezuela?
Se Trump conseguir controlar o fluxo de petróleo iraniano, pode tentar replicar no Irã uma estratégia semelhante à aplicada na Venezuela.
Após a captura do ditador Nicolás Maduro, os Estados Unidos passaram a contar com a vice-presidente Delcy Rodríguez como uma aliada circunstancial.
Trump garantiu que a escolha por Motjaba Khamenei, filho de Ali, "é inaceitável".
“O filho de Khamenei é inaceitável. Tenho que estar envolvido na nomeação, assim como fiz com Delcy (Rodriguez) na Venezuela", disse o presidente republicano em entrevista por telefone ao Axios .
Diante do risco de colapso, parte do regime iraniano poderia recuar e reconhecer sua vulnerabilidade.
Não seria necessariamente uma troca de regime, mas uma mudança de postura.
Fato é que todos os cenários listados são complexos e devem resultar confrontos armados.
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