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O significado das trocas de ministros no Peru

08.10.21 08:35

Com menos de 70 dias de governo, o presidente do Peru, Pedro Castillo, já realizou mudanças drásticas em seu governo. O ministro das Relações Exteriores caiu em agosto. Esta semana, Guido Bellido, o chefe do gabinete, cargo que poderia ser comparado ao de primeiro-ministro, foi substituído por Mirtha Vásquez (na foto, ao lado de Castillo). Além de Mirtha, seis ministros foram trocados.

Bellido renunciou depois de entrar em seguidas disputas com outros ministros e com o presidente. O ex-primeiro-ministro é próximo do presidente do partido Peru Livre, Vladimir Cerrón, um marxista-leninista que é próximo da ditadura cubana. No final de setembro, Bellido publicou uma mensagem nas redes sociais ameaçando de nacionalização a empresa que opera o maior campo de gás do país.

Convocamos a empresa que opera e comercializa o campo de gás de Camisea para renegociar a distribuição dos lucros em favor do estado. Caso contrário, optaremos pela recuperação ou nacionalização do nosso campo“, escreveu Bellido. A frase causou preocupação entre investidores e desvalorizou o sol, a moeda peruana.

Castillo, então, achou melhor intervir para evitar que seu governo naufragasse na largada. “A estratégia foi tentar garantir sua sobrevivência no poder, em meio a um Congresso que ele não controla“, diz o cientista político peruano Jose Alejandro Godoy.

Após a troca de ministros, membros do Partido Peru Livre, o mesmo do presidente, declararam que a bancada do partido não apoia o novo gabinete e que considera a mudança uma traição.

Mirtha Vásquez, que agora segue como a nova primeira-ministra, é uma advogada que tratava de temas como direitos humanos e meio ambiente. Seu partido é o Frente Ampla. É tida como moderada e foi presidente do Congresso anterior, que legislou até julho deste ano.

Uma das consequências dessa mudança é que a influência do partido Peru Livre, de Cerrón, será substancialmente menor“, diz Godoy. “A nomeação de Mirtha deve reduzir bastante os confrontos com o Congresso, e a política deve se concentrar muito mais em resolver problemas concretos, como avançar a vacinação contra a Covid.”

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