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O que esperar da guerra entre Milei e a EBC argentina

O presidente da Argentina, Javier Milei, decidiu comprar uma briga com a imprensa e o sindicalismo a partir desta segunda-feira, 4 de março, com a suspensão temporária das atividades da agência de notícias pública Télam (foto). Os cerca de 700 funcionários do veículo estão suspensos por sete dias remunerados, segundo anúncio enviado ainda pela madrugada....

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Caio Mattos, De Buenos Aires
4 minutos de leitura 05.03.2024 06:00 comentários 0
O que esperar da guerra entre Milei e a EBC argentina
Manifestantes protestam contra a suspensão das atividades da agência pública Télam, na sede do veículo, em Buenos Aires, Argentina - 04/03/2024. Foto: Crusoé/ Caio Mattos
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O presidente da Argentina, Javier Milei, decidiu comprar uma briga com a imprensa e o sindicalismo a partir desta segunda-feira, 4 de março, com a suspensão temporária das atividades da agência de notícias pública Télam (foto).

Os cerca de 700 funcionários do veículo estão suspensos por sete dias remunerados, segundo anúncio enviado ainda pela madrugada.

Naquele mesmo momento, os empregados que estavam na sede principal da Télam, em Buenos Aires, foram orientados a liberar as dependências.

A Polícia da Cidade de Buenos Aires cerca o prédio, assim como outra dependência da agência na capital argentina, desde então. E, o site do veículo está fora do ar.

O que Milei vai fazer com a Télam?

 

Durante a campanha de 2023, o libertário prometeu privatizar a agência fundada na década de 1940

Não se sabe como se pretenderá liquidar a Télam.

O porta-voz do governo, Manuel Adorni, afirmou nesta segunda que os detalhes serão apresentados ao longo desta semana.

A Télam não pode falir nem ser privatizada sem aval do Legislativo enquanto ela for uma sociedade de Estado, como determina um decreto de 2002.

Entretanto, o decreto de necessidade e urgência (DNU) de dezembro, um dos principais fronts das reformas de Milei que se concretizou, autoriza a transformação da Télam em uma sociedade anônima.

Isso deve permitir uma privatização sem precisar do Legislativo, onde a oposição, tanto kirchnerista quanto dialoguista, barrariam qualquer proposta nesse sentido.

Um problema que surge, caso Milei opte por esse caminho, é a possibilidade de o Congresso derrubar o DNU.

O decreto de necessidade e urgência é semelhante à medida provisória, no Brasil, mas só caduca se ambas as Casas do Legislativo votarem pela rejeição do texto.

O trâmite do DNU iniciou ainda em fevereiro, quando o Congresso estava em regime de sessões extraordinárias.

Como os funcionários da Télam vão reagir?

 

Desde que a polícia cercou a sede principal da Télam, funcionários da agência e sindicalistas acampam nos arredores para fazer pressão.

Uma das principais lideranças dos manifestantes é Carla Gaudensi, jornalista da Télam desde 2009 e secretária-geral da Federação Argentina de Trabalhadores da Imprensa.

Redatora da rádio da Télam, ela estava na sede da agência à 1h desta segunda, quando foram expulsos da redação.

"Estamos vendo com nossos advogados como continuamos", diz Gaudensi a Crusoé.

No Poder Judiciário, Milei pode encontrar entraves.

Quando Mauricio Macri, hoje aliado e quase padrinho do libertário, estava na Casa Rosada, ele chegou a demitir 40% dos funcionários da Télam em 2018.

O Judiciário reverteu a maioria das demissões.

"Resistimos a Macri e ganhamos, por isso a agência segue em pé. Sempre que tentaram silenciar a Télam, os trabalhadores a defenderam", afirma Gaudensi.

Em reunião pela tarde de segunda, os funcionários da agência decidiram publicar conteúdo em um portal alternativo, como fizeram na crise com Macri em 2018.

Foto: Crusoé/ Caio Mattos
Manifestantes protestam contra a suspensão das atividades da agência pública Télam, na sede do veículo, em Buenos Aires, Argentina – 04/03/2024. Foto: Crusoé/ Caio Mattos
Foto: Crusoé/ Caio Mattos
Carla Gaudensi, jornalista da Télam e sindicalista, em protesto contra a suspensão das atividades da agência pública Télam, na sede do veículo, em Buenos Aires, Argentina – 04/03/2024. Foto: Crusoé/ Caio Mattos
Foto: Crusoé/ Caio Mattos
Manifestantes protestam contra a suspensão das atividades da agência pública Télam, na sede do veículo, em Buenos Aires, Argentina – 04/03/2024. Foto: Crusoé/ Caio Mattos
Foto: Crusoé/ Caio Mattos
Manifestantes protestam contra a suspensão das atividades da agência pública Télam, na sede do veículo, em Buenos Aires, Argentina. Carla Gaudensi no microfone e Pablo Moyano de camiseta bege segurando um cartaz – 04/03/2024. Foto: Crusoé/ Caio Mattos
Foto: Crusoé/ Caio Mattos
Manifestantes protestam contra a suspensão das atividades da agência pública Télam, na sede do veículo, em Buenos Aires, Argentina – 04/03/2024. Foto: Crusoé/ Caio Mattos

Como o sindicalismo vai reagir?

 

O protesto na frente da sede da agência na segunda também contou com a presença de Pablo Moyano, líder de facto da Confederação Geral do Trabalho (CGT).

Maior central sindical da Argentina, a CGT foi quem coordenou a greve geral e protesto contra Milei em 24 de janeiro. Nesta segunda, Moyano flertou com a possibilidade de uma reprise no horizonte.

Ele afirmou no palanque da manifestação que a suspensão da Télam seria uma das políticas do governo nacional que “fortalecem ainda mais o apelo a uma greve geral ou a uma grande mobilização para os próximos dias”.

A situação da Télam, em si, não vai desencadear uma greve geral.

Mas, a guerra com a agência pública pode contribuir a uma série de outros desgastes políticos de Milei que viabilizariam uma greve à medida que interesse Moyano.

O motivo importante a curto prazo é o fato de o Ministério de Capital Humano se recusar a homologar um acordo de reajuste salarial firmado entre o sindicato dos caminhoneiros, base de Moyano, e empresários para os meses de março e abril.

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