"O problema é os brasileiros não entenderem os seus atos"
Zema rebate críticas de Gilmar a seu modo de falar: "Linguajar de brasileiros simples como eu é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília"
Pré-candidato à Presidência da República, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo, foto) rebateu as críticas debochadas de Gilmar Mendes sobre seu modo de falar, feitas em duas entrevistas concedidas na quarta-feira, 22.
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF) disse em entrevista à Record News e ao Jornal da Globo que Zema "fala um dialeto próximo do português".
"Muitas vezes a gente não o entende, não é? Tu estava imaginando que ele fala uma língua lá do Timor Leste, um tétum ou coisa assim, mas, de qualquer forma, naquilo que for inteligível, é importante que a Procuradoria, a Polícia Federal, o próprio ministro Alexandre [de Moraes] aprecie", disse o ministro em trecho da entrevista à Record News compartilhado pelo próprio ex-governador de Minas nas redes sociais.
"Português esnobe dos intocáveis de Brasília"
"Sabe porque você não entende o que eu falo, Gilmar Mendes? É que o linguajar de brasileiros simples como eu é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília", diz Zema na resposta, que segue assim:
"O problema não é você não entender as minhas palavras. O problema é os brasileiros não entenderem os seus atos.
É você recorrer ao autoritarismo pra calar os que criticam o comportamento de ministros do supremo.
É você e os seus colegas terem perdido a noção do que separa o público do privado. O certo, do errado. É isso o que brasileiros simples como eu não conseguem entender. É isso o que nós não vamos mais aceitar."
Os intocáveis
Gilmar pediu a inclusão de Zema no interminável inquérito das fake news por causa de uma animação satírica na qual o ministro Dias Toffoli pede ajuda ao decano do STF após a CPI do Crime Organizado aprovar a quebra de sigilo da empresa Maridt. Toffoli é sócio dessa empresa, que fez negócios com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Na entrevista ao Jornal da Globo, o decano do STF disse que tem “a impressão de que o inquérito continua necessário”.
“E ele vai acabar quando terminar, é preciso que isso seja dito em alto e bom som. O tribunal tem sido vilipendiado. Veja, por exemplo, a coragem, eu diria, a covardia do relator da CPI do Crime Organizado de atacar a Corte, pedir indiciamento de pessoas, não cuidando de quem efetivamente cometeu crime. Isso pode ser deixado assim? Acho que não. É preciso que haja resposta. Eu acho que foi um momento importante de o Supremo ter aberto o inquérito e mantê-lo pelo menos até as eleições. Acho que é relevante”, completou Gilmar.
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