ElTrece via YouTubeJavier Milei, então pré-candidato a presidente da Argentina, em um programa musical no país em 2023

Milei e Felipe VI: o leão não verá o rei

21.06.24 07:00

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltará à Espanha pela segunda vez em menos de dois meses nesta sexta-feira, 21 de junho. Novamente, ele não se reunirá com o rei Felipe VI.

O governo argentino chegou a solicitar uma audiência com o monarca espanhol em maio, para a primeira viagem, mas não obteve nenhuma resposta.

Fato é que a política externa espanhola é conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores do governo do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, com quem Milei iniciou um conflito pessoal.

Sobre o tema, a ministra espanhola da Defesa, Margarita Robles, ao canal Telecinco, nesta quinta-feira, 20 de junho: “Acho que é lógico, o rei é o chefe de um Estado em que o presidente Milei desrespeitou o presidente do governo espanhol”.

Milei e Felipe VI se encontraram duas vezes desde que o libertário assumiu a Presidência argentina.

A primeira ocorreu na própria cerimônia de posse de Milei, em dezembro; a segunda, na do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, no começo de junho.

Milei dobra a aposta após Espanha retirar embaixadora do país

 

Javier Milei, o presidente argetino, foi à TV do país nesta terça-feira, 21, para dizer que “os socialistas são capazes de qualquer coisa” e que a decisão do governo espanhol em retirar sua embaixadora em Buenos Aires é “um disparate próprio de um socialista arrogante.”

Ele ainda dobrou a aposta e disse que não tomará a mesma atitude. “Se Sánchez está cometendo um erro maiúsculo, eu não vou ser um semelhante imbecil em repetir. Vamos manter todo como está, porque quem não está a altura da política internacional são eles”, disse Milei ao canal de TV La Nación.

O chanceler espanhol, José Manuel Albares, determinou nesta terça-feira, 21, que a embaixadora na Argentina não retorne ao país. O estremecimento nas relações entre os dois países se deu após Milei manter o que seriam insultos contra Begoña Gomez, esposa do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

Begoña foi alvo de uma denúncia de corrupção no país, que levou o premiê espanhol a cogitar a renúncia há algumas semanas (ele decidiu permanecer no cargo). A denúncia seria juridicamente frágil, com promotores espanhóis pedindo seu arquivamento por falta de provas.

Foi quando entrou Milei na cena. O presidente argentino, que faz um uso pesado de redes sociais, escreveu em seu X (antigo Twitter) que Begoña seria corrupta. A fala levou o governo de Madri a cobrar um pedido de desculpas formal de Milei, além de chamar sua embaixadora em Buenos Aires, María Jesús Alonso, para consulta — um gesto diplomático que é sinal de irritação.

Nesta terça-feira pela madrugada, no entanto, novas falas de Milei —e uma recusa pública em se desculpar — levaram ao agravamento da crise. Assim, a decisão do governo, “Nós não temos desejo nenhum em nenhuma escalda”, disse Albares, o chanceler espanhol. “Mas é a obrigação do governo defender a dignidade e a soberania das instituições espanholas.”

A fala presidencial e a resposta espanhola dividiu a política no país europeu. Enquanto o governo socialista de Pedro Sánchez defendeu em peso a decisão do gabinete, o PP, principal partido de oposição, cobrou prudência. Já o Vox, partido mais à direita no espectro político do país, parabenizou Milei por “fazer mais oposição a Sánchez, em 15 segundos, que todo o PP em anos.”

Agora, quem está sob algum risco é o próprio Milei — que tinha uma viagem marcada para a Espanha em junho, onde iria receber um prêmio. Agora, o governo de Madrid indica que deverá analisar “em todos os detalhes”  o tipo de visita que o presidente de viés libertário fará em Madri.

Leia mais em Crusoé: Venezuela nega salvo-conduto para dissidentes na Embaixada da Argentina

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