O duplo papel de Sidônio Palmeira
Ministro-chefe da Secom anunciou férias depois de participar da campanha de Lula tendo seu salário pago pelo contribuinte brasileiro
O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira (foto), anunciou que vai tirar férias a partir desta segunda, 12.
O motivo, segundo reportagens, é se dedicar exclusivamente à campanha de reeleição do presidente Lula.
A decisão, feita para tentar proteger o marqueteiro das denúncias de que estaria trabalhando na campanha de Lula, mesmo tendo seu salário pago pelos contribuintes brasileiros, só reforça as suspeitas de que Sidônio estava exercendo um duplo papel.
No discurso do candidato Lula, logo após a derrota no primeiro turno, em 4 de outubro, Sidônio apareceu entre os políticos no palco, ao lado do presidente.
O marqueteiro também aparece costumeiramente como o porta-voz da campanha em anúncios para jornalistas.
Ele frequenta o quartel-general da campanha no Lago Sul, em Brasília, e participa das gravações do programa eleitoral.
Ajuda a definir o conteúdo das falas do presidente e depois compartilha as mensagens em suas contas pessoais nas redes.
Investigação
Nesta segunda, 12, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu uma investigação à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral sobre a atuação de Sidônio Palmeira.
A solicitação fala em "paralela participação na comunicação eleitoral privada da candidatura beneficiária, compartilhamento de estruturas, serviços, informações, profissionais ou recursos".
"Durante o período em que a legislação eleitoral impõe restrições especialmente rigorosas à publicidade institucional, o próprio titular da pasta responsável pela comunicação governamental teria passado a participar também da orientação da comunicação eleitoral do presidente-candidato", diz o pedido da campanha de Flávio.
"Trata-se de fato de especial relevância, pois, como se sabe, a comunicação institucional pertence ao Estado e é custeada com recursos públicos, enquanto a comunicação eleitoral deve ser produzida e financiada pelas estruturas próprias da candidatura, submetidas às regras eleitorais correspondentes. Eventual transposição de recursos, serviços, informações ou capacidade operacional de uma esfera para a outra constituiria elemento relevante para a análise do uso da máquina pública e da gravidade das circunstâncias investigadas", segue o texto.
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