Novo CEO da Disney enfrenta crise com IA e Fortnite
De parques ao digital, novo CEO da Disney, Josh D’Amaro, está sob pressão com IA após fim do Sora e demissões na parceira Epic
Josh D’Amaro assumiu o comando da Disney em 18 de março, durante a reunião anual de acionistas, já lidando com problemas envolvendo inteligência artificial e jogos. A empresa vinha enfrentando o fim abrupto do acordo de um bilhão de dólares com a OpenAI após o encerramento do gerador de vídeos Sora em 24 de março.
Executivos também passaram a avaliar a necessidade de criar ferramentas próprias ou limitar o uso de plataformas de terceiros, diante do risco de perder controle sobre ativos criativos. Essas discussões ocorrem em paralelo a uma revisão mais profunda da estratégia digital da empresa.
No campo dos jogos, a situação com a Epic Games ganhou outra dimensão ao envolver o investimento de um bilhão e meio de dólares para experiências imersivas com marcas da Disney dentro do Fortnite, exigindo acordos mais complexos do que simples parcerias promocionais.
A Epic Games demitiu mais de mil funcionários, cerca de 20% da equipe, após queda no engajamento do Fortnite, o que expõe pressões internas no momento em que negocia projetos com a Disney.
A preocupação jurídica vai além do conteúdo final gerado por IA e inclui o material usado no treinamento desses modelos, que pode envolver obras protegidas sem consentimento.
Isso expõe a empresa a disputas, mesmo quando a tecnologia é usada apenas como apoio interno. Também há dúvidas sobre como creditar ou remunerar contribuições humanas quando parte do processo passa por sistemas automatizados, o que aumenta a pressão de sindicatos e associações do setor. D’Amaro encontrou negociações já em andamento que envolvem a Epic Games e a definição de como a Disney deve operar em plataformas digitais que funcionam como hubs sociais.
O Fortnite é tratado como um espaço em que entretenimento, comércio e interação se misturam, o que exige da Disney decisões sobre até onde abrir suas franquias. A questão não é só financeira, mas ligada ao grau de controle narrativo e à forma como seus personagens podem ser utilizados por usuários dentro desses ambientes.
O novo CEO chega com a cobrança de equilibrar inovação e proteção de ativos criativos em um contexto em que grandes estúdios enfrentam mudanças estruturais, com rivais sendo vendidos para gigantes da tecnologia ou se fundindo. A adoção de inteligência artificial aparece como uma oportunidade e fonte de conflito ao mesmo tempo.
O novo executivo foi escolhido após liderar a divisão de parques, que gerou 57% do lucro de 17,5 bilhões de dólares no último ano, e agora precisa transpor essa experiência para um cenário mais complexo e instável.
Sua nomeação ocorreu após um período de reestruturação interna e busca por crescimento sustentável. A discussão sobre IA também pode afetar negociações contratuais e acordos de licenciamento em Hollywood, com executivos tentando rever cláusulas de licenciamento e uso de conteúdo.
Dentro da Disney, esse debate ocorre em paralelo a decisões sobre distribuição digital, acordos com plataformas e o papel dos jogos na estratégia futura da empresa.
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