Ricardo Stuckert / PR

Lula vai ao Mercosul falar de “guerra irracional” na Palestina

08.07.24 13:00

No discurso que deu na abertura da cúpula do Mercosul nesta segunda-feira, 8, no Paraguai, Lula atirou para todos os lados. O petista tratou de um suposto golpe de Estado ocorrido na Bolívia mês passado, dos acordos de livre comércio que o bloco não consegue destravar (em parte por culpa sua) e também daqueles acordos que o bloco conseguiu destravar — não sem antes dar seus próprios pitacos.

“Nos orgulhamos de ser o primeiro país do bloco a ratificar o acordo de livre comércio com a Palestina — mas não posso deixar de lamentar que isso ocorra no contexto em que o povo palestino sofre as consequências de uma guerra totalmente irracional”, disse Lula, durante sua fala em Assunção. Ao final, ainda citou o apoio do Brasil a uma ação aberta pela África do Sul contra Israel, em tramitação na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia.

O Brasil sob o governo petista manteve a ajuda a órgãos acusados internacionalmente de cooperar com terroristas na faixa de Gaza. Lula também tem alimentado rusgas públicas com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Ainda ao comentar os assuntos do bloco, o petista disse que o acordo com a União Europeia não saiu porque “[os] europeus não conseguiram resolver suas próprias contradições internas”. Novamente, não são apenas os franceses criticados por Lula que enterraram o acordo. O brasileiro teve papel relevante para que o texto, fruto de décadas de trabalho diplomático, ficasse emperrado.

Lula embarca, ainda nesta segunda-feira, a Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde encontrará Luis Arce Catacora, o presidente do país. Ao tratar do suposto golpe de Estado sofrido pelo seu aliado político, o presidente brasileiro disse que “a democracia prevaleceu graças à firmeza do governo boliviano, à mobilização do seu povo e ao rechaço da comunidade internacional” e que “a reação unânime ao 26 de junho na Bolívia e ao 8 de janeiro no Brasil demonstram que não há atalhos à democracia em nossa região.”

Muita coisa permanece sem explicação nas manobras militares que ocorreram na Bolívia, há menos de duas semanas. O general que teria comandado o suposto golpe alegou se tratar de uma farsa, comandada pelo próprio Arce. O motivo seria a eleição presidencial de 2025, onde Arce terá de se candidatar contra Evo Morales, o melhor amigo de Lula na região e que tenta voltar para um quarto mandato no cargo.

 

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