MRE

Itamaraty enfrenta ‘segunda onda’ de pedidos de repatriação na pandemia

08.07.20 14:21

Mais de quatro mil brasileiros espalhados por 87 países continuam à espera de ajuda do Ministério das Relações Exteriores para poderem retornar ao Brasil. Depois de trazer de volta ao país cerca de 30 mil cidadãos dispersos pelo mundo, o Itamaraty se preocupa com uma “segunda onda” de pedidos de brasileiros querendo voltar para casa por conta da pandemia do novo coronavírus. 

Ao todo, o Itamaraty já gastou 83,3 milhões de reais com a operação de repatriações, que inclui negociações com governos e também a contratação de voos fretados para brasileiros. A pasta ainda dispõe de 44,7 milhões de reais para continuar trabalhando nessa missão, que tem sido elogiada até mesmo por diplomatas considerados dissidentes da administração de Ernesto Araújo. 

Situações críticas de pessoas desvalidas em países como Portugal foram praticamente zeradas pelo chamado Grupo Consular de Crise. Recentemente, o grupo tem recebido apelos de brasileiros que já moravam fora do Brasil, mas foram atingidos pelos efeitos econômicos da pandemia, perdendo empregos e meios de se manterem. Hoje, o epicentro da fila de repatriações é a América do Sul, com mais de 1.600 pessoas à espera de ajuda do governo brasileiro em seis países. Apenas na Argentina são cerca de 1.200. 

Outro caso que preocupa é o da Venezuela. Por lá, há 89 pessoas esperando uma posição do Itamaraty. O problema é que a chancelaria repatriou todos os funcionários do governo brasileiro, fechando a embaixada em Caracas e os consulados no país. Fontes diplomáticas relatam que a gestão de Ernesto Araújo tenta firmar um acordo com a Colômbia para que essas pessoas possam ser atendidas pela diplomacia colombiana, que ainda tem repartições funcionando em território venezuelano, mas a proposta ainda não avançou. “Eles estão lá sozinhos, sem ninguém olhando por eles”, relata uma fonte diplomática, ao comentar sobre os brasileiros na Venezuela. 

Na Europa, a situação continua preocupante, com 1.200 pessoas retidas em 29 países. Mais da metade delas se encontra na Espanha, que tem “pouquíssimos voos partindo com destino ao Brasil”, segundo um diplomata ouvido por Crusoé. Na Rússia, cerca de 140 brasileiros também não têm possibilidade de retorno ao país, incluindo um grupo de estudantes.

Ainda estão na fila 664 pessoas em 8 países das Américas Central e do Norte, 333 em 14 nações da Ásia e da Oceania, 249 em 9 países do Oriente Médio e 100 cidadãos em 21 territórios da África. 

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