Hezbollah bate, ONU apanha e Itamaraty se cala
Ao condenar os ataques à Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), o governo Lula não apontou que o Hezbollah foi o responsável pela ação
O Itamaraty condenou na quarta-feira, 1º de abril, os ataques à Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), ocorridos em 29 e 30 de março, sem apontar que os terroristas do Hezbollah foram os responsáveis pela ação.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que os "ataques deliberados contra integrantes de missões de paz e instalações das Nações Unidas representam grave violação do Direito Internacional e do Direito Internacional Humanitário e contrariam as disposições do Conselho de Segurança".
"O governo brasileiro expressa sinceras condolências aos familiares das vítimas e aos governos da Indonésia e do Líbano, e deseja rápida e plena recuperação aos feridos", acrescentou.
Os ataques à Unifil mataram três capacetes azuis da Indonésia, além de causar ferimentos em oficiais do mesmo batalhão.
As investigações das Forças de Defesa de Israel concluíram que o incidente não foi provocado por atividades militares israelenses.
"Ao longo do último dia, as Forças de Defesa de Israel (FDI) concluíram sua revisão do incidente ocorrido ontem, no qual foi relatado que soldados da Unifil foram mortos pela explosão de um artefato explosivo na área de Bani Haiyyan, no sul do Líbano. Uma investigação operacional completa indica que nenhum artefato explosivo foi colocado na área por tropas da FDI e que não havia tropas da FDI presentes na área.
As Forças de Defesa de Israel estão operando contra o Hezbollah, e não contra a Unifil, as Forças Armadas Libanesas ou civis libaneses.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) apelam à Unifil para que evite presença em zonas de combate onde as FDI emitiram alertas à população civil para que evacue em segurança", publicaram os militares israelenses no X.
Dois pesos e duas medidas
Na mesma nota, o Itamaraty manifestou repúdio aos ataques que resultaram na morte de três jornalistas libaneses em 28 de março.
Ao contrário do primeiro incidente, o governo Lula não hesitou em apontar a culpa de Israel.
"Manifesta repúdio, igualmente, aos ataques israelenses que resultaram, em 28 de março, na morte de três jornalistas libaneses, em flagrante violação ao Direito Internacional Humanitário e à liberdade de imprensa."
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