Ex-reféns israelenses e a informação filtrada no cativeiro
À Crusoé, Sasha e Sapir relatam bastidores do sequestro e o período em cativeiro sob o domínio do Hamas
Os relatos de Sasha Trufanov e Sapir Cohen ajudam a dimensionar o isolamento e o acesso limitado à informação enfrentados por reféns mantidos pelo Hamas na Faixa de Gaza após os ataques de 7 de outubro de 2023.
A convite da StandWithUs Brazil, Crusoé participou de uma conversa com o casal, ex-reféns israelenses do grupo terrorista Hamas.
Sasha permaneceu em cativeiro por 498 dias, até fevereiro de 2025. Por ser filho de russos, sua libertação contou com apoio do governo da Rússia.
Sapir, sua namorada, foi mantida sequestrada por 55 dias e libertada em novembro de 2023.
O fatídico dia
No fim de semana do 7 de outubro de 2023, os alarmes soaram no kibutz Nir Oz, próximo à Faixa de Gaza.
Sapir relata que os alertas eram frequentes na região. Ainda assim, o casal correu para um quarto de hóspedes.
"Queríamos correr para um lugar mais seguro, mas tínhamos que esperar um momento de silêncio entre os foguetes para conseguir sair. Esperamos quase uma hora, mas não havia nem 20 segundos de silêncio. Então ficamos ali, abaixados perto da parede."
A dimensão do que estava acontecendo só ficou clara horas depois.
"Depois disso, alguém abriu uma notícia no celular dizendo que terroristas estavam vindo, a apenas 10 minutos de distância. Pensei que talvez fosse algo isolado e que o exército estaria a caminho.
Poucos minutos depois, recebemos outra mensagem. Sasha olhou o celular e não quis me mostrar. Eu insisti, porque estava muito nervosa. Quando entendi o que estava acontecendo, decidi pegar um cobertor, me cobrir completamente e me esconder debaixo da cama", afirma Sapir.
Após horas escondidos, eles foram capturados e levados para a Faixa de Gaza.
Contato com mundo externo
Uma das dúvidas recorrentes sobre o cativeiro é como os reféns acessam informações e mantêm algum contato com a realidade externa.
Sasha afirmou que o acesso era restrito e filtrado.
Durante o período em que foi mantido refém, ele não soube que o pai havia sido assassinado no ataque.
Um dos canais que assistiu no cativeiro era a Al Jazeera, com sede no Catar.
Como já mostramos, o canal é considerado um "megafone do Hamas".
"De vez em quando a gente tinha acesso às notícias, mas da Al-Jazeera, canais do Egito, Catar e da Jordânia. Só isso", disse Sasha.
Sapir contou que vivia uma rotina de deslocamentos constantes, sendo transferida entre casas de civis por meio de túneis.
"Teve um terrorista que me dava comida escondido quando o turno do outro guarda acaba", conta.
Brutalidade
Durante a conversa, Sasha foi enfático ao comentar sobre a brutalidade do grupo terrorista.
Entre os relatos, ele afirmou que chegou a passar uma semana sem conseguir realizar necessidades fisiológicas básicas.
Sasha rejeitou uma tendência do ser humano em ver bondade no lado errado da história.
"Eles não estavam nos fazendo um favor. Eles nos mataram, nos sequestraram. Não há bondade, não há compaixão no lado do Hamas", disse o ex-refém.
Futuro
Após a libertação, o casal passou a relatar publicamente a experiência do cativeiro.
O objetivo, segundo eles, é dar visibilidade às condições enfrentadas pelos reféns e contribuir para que o tema permaneça em discussão.
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