Ex-candidata de esquerda é presa no Equador por suspeita de lavagem de dinheiro
Luisa González também é investigada por suposto financiamento de campanha com dinheiro da ditadura venezuelana
A ex-candidata à Presidência do Equador, Luisa González, foi presa nesta quinta, 22, por suspeita de lavagem de dinheiro na campanha eleitoral de 2023.
Naquele pleito, a candidata de esquerda foi derrotada pelo presidente Daniel Noboa.
Luisa integra o movimento Revolução Cidadã, do ex-presidente Rafael Correa. O partido está impedido de disputar as eleições para prefeituras, que ocorrerão em novembro.
O Ministério Público do Equador afirmou que apresentará denúncia contra três pessoas “investigadas por suposta participação no crime de lavagem de dinheiro”.
Em publicação no X, o órgão divulgou as iniciais dos detidos, entre elas LMGA, que correspondem às iniciais do nome completo de González.
Ditadura venezuelana
Em janeiro, Luisa González foi alvo de busca e apreensão por suspeita de financiamento de sua campanha de 2023 pela ditadura venezuelana.
O Ministério Público investiga se “entrava dinheiro ilícito (em espécie) da Venezuela para financiar a campanha presidencial de 2023”.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou que o país já teve “campanhas políticas financiadas pelo regime de Maduro”.
Segundo Noboa, os recursos em dinheiro vivo teriam origem na estatal petrolífera venezuelana PDVSA.
O Ministério Público, contudo, não especificou se a prisão está relacionada à mesma investigação iniciada em janeiro ou a um novo inquérito.
Não é novidade
Sob o regime de Hugo Chávez, a Venezuela adotou uma política de expansão do "socialismo do século XXI".
Essa estratégia consistia em apoio financeiro às campanhas de esquerda na América Latina.
Por meio da petrolífera PDVSA, Chávez enviava dinheiro em espécie por intermediários a campanha de aliados.
Na Argentina, o caso mais famoso envolve a “maleta de Antonini Wilson” (2007), com US$ 800 mil apreendidos, supostamente destinados à campanha de Cristina Kirchner.
Segundo os EUA, o dinheiro era de origem venezuelana.
Já na Bolívia, Chávez manteve apoio ao cocaleiro Evo Morales.
"Dinheiro sujo"
Em outubro do ano passado, o ex-secretário assistente para o Financiamento do Terrorismo do Departamento Tesouro dos Estados Unidos, Marshall Billingslea, acusou a ditadura venezuelana de utilizar “dinheiro sujo e corrupto” para financiar campanhas políticas de esquerda na América Latina.
Durante audiência do Comitê do Senado sobre Controle Internacional de Narcóticos, Billingslea citou o suposto financiamento da campanha do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e afirmou que o regime chavista canalizou recursos ilícitos para o Brasil e México.
"O regime que espalhou o socialismo na América Latina é o venezuelano. É o dinheiro sujo e corrupto da Venezuela que financiou a campanha de [Gustavo] Petro [presidente da Colômbia]. Eles canalizaram dinheiro para o México e o Brasil.
Com a democracia na Venezuela, acaba o dinheiro para campanhas socialistas na região, receitas de petróleo para Cuba e apoio à Nicarágua. Esquecemos o que Ortega está fazendo com o povo de Nicarágua, é uma tragédia”, disse.
Leia também: Maduro financiou campanha de candidata derrotada no Equador?
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