Reprodução

Em debate morno, Kamala e Pence fogem de perguntas

08.10.20 00:10

Os candidatos a vice-presidente dos Estados Unidos, a senadora democrata Kamala Harris e o vice-presidente republicano Mike Pence (foto) se enfrentaram em um debate na noite desta quarta-feira, 7, em Salt Lake City.

Ao longo de 90 minutos, ambos se esquivaram das críticas feitas aos candidatos que disputam a presidência, Donald Trump e Joe Biden.

Pence foi pressionado principalmente em relação à gestão da pandemia do coronavírus. A moderadora Susan Page, jornalista do USA Today, perguntou a ele sobre o evento nos jardins da Casa Branca, em que a juíza Amy Coney Barret foi anunciada para a Suprema Corte. O episódio, que aconteceu no dia 26 de setembro, acabou servindo para espalhar o coronavírus. Pence respondeu vagamente dizendo que os americanos tomam decisões quando ficam sabendo dos fatos. “A diferença aqui é que o presidente Trump e eu confiamos no povo americano para fazer escolhas no melhor interesse de sua saúde”, disse Pence.

Susan Page também questionou Pence sobre como os republicanos planejam manter a proteção à saúde de muitos americanos, uma vez que defendem o fim do Affordable Care Act, ou Obamacare, o programa que ampliou a cobertura médica nos Estados Unidos. Kamala Harris endossou a pergunta: “No meio de uma pandemia de saúde pública, onde mais de 210 mil pessoas morreram, Donald Trump está no tribunal agora tentando se livrar do Affordable Care Act. Isso significa que não haverá mais proteções para pessoas com doenças já existentes”. Pence não respondeu à pergunta e afirmou que Kamala e Biden apoiam o aborto mesmo perto do nascimento.

A senadora Kamala Harris teve de responder a uma pergunta de Susan, reforçada por Pence, sobre se ela e Biden planejam “empacotar a Suprema Corte”. Vários democratas têm defendido a ideia de aumentar o número de ministros da corte, que tem nove membros. Para muitos, essa seria uma maneira de diluir a influência de magistrados conservadores. Kamala não negou que os democratas planejam empacotar o tribunal, e reclamou dizendo que o presidente Trump não selecionou negros para vagas em outras cortes.

A moderadora Susan Page perguntou aos dois se eles conversaram com seus respectivos companheiros de chapa sobre o procedimento caso precisem assumir a presidência. Nenhum dos dois respondeu.

De maneira geral, o debate desta quarta, 7, foi mais civilizado do que aquele que aconteceu entre Donald Trump e Joe Biden na terça, 29. O número de interrupções foi bem menor. Kamala, quando interrompida por Pence, soube valorizar o momento. “Senhor vice-presidente, eu estou falando”, disse ela.

O evento desta quarta abordou mais as questões internacionais, ainda que o Brasil não tenha sido citado. Kamala acusou o governo Trump de trair os aliados e abraçar ditadores pelo mundo, como o russo Vladimir Putin. Pence retrucou dizendo que Trump não traiu aliados e manteve suas promessas, como a de levar a embaixada americana para Jerusalém.

Os candidatos a vice não se encontrarão novamente. O próximo debate, entre Trump e Biden, está marcado para o dia 15.

Já é assinante?

Continue sua leitura!

E aproveite o melhor do jornalismo investigativo.

O maior e mais influente site de política do Brasil. Venha para o Jornalismo independente!

Assine a Crusoé

CONFIRA O QUE VOCÊ GANHA

  • 1 ano de acesso à CRUSOÉ com a Edição da Semana: reportagens investigativas aprofundadas, publicadas às sextas-feiras, e Diário, com atualizações de segunda a domingo
  • 1 ano de acesso a O ANTAGONISTA+: a eletrizante cobertura política 24 horas por dia do site MAIS conteúdos exclusivos e SEM PUBLICIDADE
  • A Coluna Exclusiva de Sergio Moro
  • Podcasts e Artigos Exclusivos de Diogo Mainardi, Mario Sabino, Claudio Dantas, Ruy Goiaba, Carlos Fernando Lima e equipe
  • Newsletters Exclusivas

Os comentários não representam a opinião do site. A responsabilidade é do autor da mensagem. Em respeito a todos os leitores, não são publicados comentários que contenham palavras ou conteúdos ofensivos.

500
  1. Fui dormir. Eles que são norte americanos que se virem. Quando respingar as decisões deles por aqui, o mi(n)to saberá dar um resposta a altura, aliás, como já vem fazendo com extrema (ine)eficiência.

  2. O argumento de que “o povo americano sabe fazer as melhores escolhas para a sua saúde” é próprio de quem não está nenhum pouco preocupado com o povo. Quanto cinismo!

    1. Verdade... algo me diz que a retórica é a mesma usada no Brasil, porque será?

Mais notícias
Assine 7 dias grátis
TOPO