Economia argentina tem maior queda desde 2023
Ajuste fiscal de Milei derrubou inflação, mas trouxe retração na economia argentina, com indústria, comércio e construção em queda
Dados divulgados nesta semana mostram que a atividade econômica da Argentina registrou em fevereiro a maior queda desde 2023, sinalizando nova perda de ritmo após meses de ajuste fiscal e contração do consumo.
O indicador mensal caiu de forma acentuada, com recuo espalhado por indústria, construção e comércio, setores sensíveis ao aperto monetário e à queda da renda real.
A produção industrial caiu 3,2% em janeiro de 2026 na comparação anual, e a construção apresentou queda de 1,3% em fevereiro sobre janeiro, segundo dados oficiais do INDEC.
A deterioração ocorre enquanto o governo de Javier Milei mantém cortes de gastos e desregulação, estratégia que reduziu a inflação em termos mensais, mas aprofundou a retração no curto prazo.
A queda do poder de compra e a paralisação de obras públicas têm reduzido a demanda interna, ao mesmo tempo em que empresas operam com capacidade ociosa elevada e estoques ajustados.
O enfraquecimento da atividade também pesa sobre a percepção externa do país. Analistas ouvidos pela Bloomberg Línea afirmam que a Argentina dificilmente voltará à categoria de mercado emergente antes de 2028, diante de restrições cambiais persistentes, histórico de calotes e baixa liquidez de seus ativos.
Essa classificação limita a entrada de investidores institucionais e reduz o fluxo de capital de longo prazo.
Apesar disso, alguns indicadores mostram estabilização parcial. A inflação desacelerou em relação aos picos do ano anterior e o superávit fiscal primário foi retomado, resultado de cortes profundos em subsídios e despesas correntes.
Ainda assim, a melhora fiscal ainda não se traduziu em recuperação econômica, já que o ajuste retira renda e crédito do sistema.
No curto prazo, o cenário depende da capacidade do governo de recompor salários reais e destravar investimentos sem abandonar o equilíbrio das contas públicas. A combinação de recessão prolongada, crédito escasso e incerteza regulatória mantém investidores e empresas cautelosos e adia decisões de expansão em vários setores da economia argentina.
Esse ambiente também afeta o mercado de trabalho, com aumento do desemprego urbano e redução de jornadas, enquanto famílias ajustam consumo a níveis mais baixos e priorizam despesas essenciais diante da perda de renda e crédito, que segue restrito localmente.
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