Direita nacionalista perde maioria na Polônia
O ex-primeiro ministro da Polônia Donald Tusk (foto) declarou-se o vencedor, neste domingo (15), das eleições parlamentares no país — as mais intensas desde a redemocratização do país, em 1989. A declaração de vitória da sua Coalizão Cívica (KO, na sigla polonesa) mostra que a aposta de uma oposição contra um terceiro mandato seguido do...

O ex-primeiro ministro da Polônia Donald Tusk (foto) declarou-se o vencedor, neste domingo (15), das eleições parlamentares no país — as mais intensas desde a redemocratização do país, em 1989. A declaração de vitória da sua Coalizão Cívica (KO, na sigla polonesa) mostra que a aposta de uma oposição contra um terceiro mandato seguido do partido Lei e Justiça (PiS), de direita nacional-conservadora, parece ter funcionado.
O KO, partido de centro-direita com viés pró-União Europeia, teve 163 parlamentares eleitos no Sejm, o parlamento polonês. Agora, o partido de Tusk deve trabalhar em uma coalizão com a Terceira Via (TD) e a Esquerda (L), que tiveram votações acima do esperado e podem garantir, juntos, 248 cadeiras no parlamento, 17 acima da maioria necessária
Na prática, o PiS se manteve como o partido com mais cadeiras no Legislativo local. Mas com 200 das 460 cadeiras, o partido não apenas perdeu sua maioria, como vê quase inviabilizada a chance de uma coalizão. Outro partido de direita, a Confederação, teve desempenho pior que o esperado e conseguiu eleger apenas 14 nomes. A eleição teve uma mobilização inédita no país, com cerca de 73% dos eleitores indo as urnas, acima da média histórica de 53% a 55%.
Com isso, deve chegar ao fim os oito anos de PiS à frente da política polonesa. Sob o comando ideológico de Jaroslaw Kaczynski, o partido chegou a ter uma supermaioria na Sejm, onde adotou políticas de tom nacionalista que colocaram Varsóvia em constante conflito com a União Europeia. O caso que levou o atrito ao limite ocorreu em 2020, com a decisão do país de limitar o aborto por malformação — mantendo 97% dos casos de gravidez.
Agora, Tusk está próximo de voltar ao cargo que ocupou nos anos 2000. Ex-presidente do Conselho da União Europeia, o parlamentar é quase o oposto do PiS: mais urbano e cosmopolita, defende uma aproximação do país com Bruxelas e as outras nações do continente. Acredita-se que algumas medidas mais extremas dos anos da direita conservadora sejam revistas.
Entre elas, pode estar uma medida que interessa diretamente a Ucrânia, com quem o país faz fronteira. O governo polonês baniu importações de grãos da Ucrânia, como medida de proteção aos seus próprios produtores. Além disso, há muito debate interno no país sobre como tratar os refugiados da invasão russa ao território ucraniano — seriam mais de 1 milhão deles apenas no território polonês.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)