"Currículo pesado, mas você não vai colocar um santo", diz Trump sobre presidente sírio
Presidente americano reforça elogio a Ahmed al-Sharaa em meio a conflitos com curdos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lembrou nesta terça-feira, 20, do "currículo pesado" do presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, durante o balanço de um ano de seu governo.
Questionado sobre os recentes enfrentamentos entre as forças sírias e curdos, Trump afirmou: "O presidente da Síria está trabalhando muito, muito duro. Um cara forte, durão. Um currículo bem pesado. Mas você não vai colocar um santo lá."
Trump também ressaltou que os curdos são “amigos” dos americanos, destacando a complexidade das relações na região.
Conflitos e cessar-fogo
Nos últimos dias, as forças do governo sírio e as Forças Democráticas Síria (SDF), lideradas por curdos, entraram em confronto em Raqqa, Deir er-Zour e Al-Hasakah.
Foi anunciado um acordo de cessar-fogo de quatro dias para discutir a integração da SDF e a transferência de áreas estratégica para o controle de Damasco.
Durante a tensão, houve relatos de fugas em prisões que abrigam combatentes do Estado Islâmico, já que a SDF deixou algumas instalações sob pressão militar do governo, gerando preocupações de segurança.
Currículo de Sharaa
O "passado" ao qual o republicano se referia é o de líder do HTS — uma costela da Al Qaeda — quando Sharaa era chamado de Mohamed al-Jolani.
Al-Sharaa não foi eleito presidente do país. Ele chegou ao poder após um golpe armado contra a ditadura de Bashar Assad.
Trump vê no novo presidente sírio um aliado para impedir o ressurgimento do Estado Islâmico (Isis), que foi derrotado pelo regime de Assad durante a guerra civil de 2015.
A maior missão do governo de Sharaa é o de manter a Síria unida.
Ele prometeu novas eleições presidenciais, mas deu um prazo de quatro a cinco anos para a realização, alegando que "qualquer eleição válida exigirá um censo populacional abrangente".
Fim das sanções
No ano passado, Trump surpreendeu o mundo ao anunciar o fim das sanções econômicas à Síria.
"Eu estarei ordenando o fim das sanções contra a Síria para dar a eles uma chance de grandeza”, afirmou o republicano, sendo aplaudido de pé pelo ditador saudita Mohammed bin Salman durante visita a Riad.
A decisão foi tomada seis meses após o grupo Hay'at Tahrir al-Sham (HTS) — ainda classificado como terrorista pelo Departamento de Estado americano — derrubar a ditadura de Bashar Assad.
Desde 1979, os EUA mantinham sanções econômicas à Síria em resposta aos crimes contra a humanidade ou apoio a grupos terroristas.
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