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Diários

China desafia os EUA na América Latina

A América Latina é o palco da crescente rivalidade entre China e Estados Unidos em expandir suas influências

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José Inácio Pilar
3 minutos de leitura 01.01.2026 10:11 comentários 0
China desafia os EUA na América Latina
Imagem: reprodução
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A China deixou claro que não vai recuar na disputa por espaço político e econômico na América Latina em meio à nova estratégia dos Estados Unidos de reafirmar sua influência no hemisfério.

O "3º Documento sobre a Política da China para com a América Latina e o Caribe", divulgado por Pequim em dezembro, expõe as ambições por uma maior cooperação com países latino-americanos em áreas como comércio, tecnologia e investimentos, um movimento que vai de encontro com a declarada ênfase da administração Trump em conter a presença chinesa nesta parte do mundo.

A política chinesa é uma mensagem firme de que Pequim não teme a disputa com Washington.

A rivalidade entre as duas potências é visível nas reações de cada um aos esforços do outro. Enquanto os Estados Unidos reforçam sua presença diplomática e militar na região com base em um novo documento de segurança nacional que afirma a proeminência norte-americana nas Américas, a China critica o que chama de pressão indevida sobre os países latino-americanos.

Autoridades chinesas têm defendido que cada nação deve ter autonomia para escolher seus parceiros em diferentes setores sem interferência externa, e reforçam sua cooperação com nações regionais por meio de fóruns como a CELAC e acordos comerciais bilaterais.

Esse embate entre as duas potências tem raízes na maior presença econômica chinesa na última década, incluindo investimentos importantes em infraestrutura, energia e comércio.

A China aumentou sua influência ao ponto de ser um dos principais parceiros comerciais de vários países da América do Sul - é destino de cerca de 1/3 de todas as exportações brasileiras - o que tem gerado debates internos sobre dependências e riscos de desequilíbrio.

Mas foi justamente a longa ausência de atenção dos Estados Unidos ao continente que abriu espaço para que Pequim criasse e fortalecesse laços mais profundos.

Washington, agora, busca limitar esses vínculos, argumentando que investimentos chineses podem criar dependências desfavoráveis ou ameaçar interesses estratégicos norte-americanos.

Só que os EUA não oferecem a mesma profundidade nem as mesmas condições comerciais de parceria para substituir os chineses nessas diversas frentes de atuação, querem apenas que eles vão embora, sem necessariamente preencher o espaço como provedor ou comprador dos latinos.

A Casa Branca vem aplicando uma releitura de princípios antigos de política para o hemisfério (o corolário Trump à doutrina Monroe) para justificar pressão política e econômica sobre aliados regionais, além de favorecer empresas e projetos alinhados aos seus interesses.

O resultado é um cenário onde países da América Latina se veem diante de uma disputa entre as duas grandes potências, mas que oferecem modelos diferentes de cooperação, impondo desafios e escolhas difíceis sobre como equilibrar relações externas sem fechar a porta para ninguém e perder espaço de manobra política e econômica.

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