Benesses eleitorais de Lula mobilizam R$ 298,4 bilhões em 2026, diz IFI
Pacote de benefícios aumenta a urgência de um ajuste fiscal robusto no próximo governo
Cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI) apontam que o pacote de benefícios anunciado pelo governo federal para tentar reeleger o presidente Lula (PT) já mobilizou 298,4 bilhões de reais em 2026.
O órgão ligado ao Senado prevê que o impacto nas contas públicas seja ainda maior em 2027, graças à ampliação do teto do faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs), aprovada na quinta-feira, 15, pelo Senado, e à promessa de tarifa zero no transporte coletivo aos finais de semana.
Ao Globo, o diretor da IFI Alexandre Seijas alertou que as benesses do governo Lula aumentam a urgência de um ajuste fiscal robusto no próximo governo.
Considerando apenas as iniciativas com o gasto direto do governo, a conta é de 93,8 bilhões de reais.
Porém, a maior parte dos recursos, cerca de 185,7 bilhões de reais, é de origem financeira, baseada em programas de crédito com juros subsidiados.
Como os financiamentos são com juros baixos, diz a IFI, há uma perda em subsídio implícito, o que eleva a dívida pública.
Segundo Seijas, o subsídio implícito estimado é de 10,2 bilhões de reais em 2026, só nas linhas criadas ou ampliadas a partir de 2024.
A solução de Lula para a dívida pública
Lula afirmou na quinta-feira, 15, em entrevista à TV Globo, que a solução para o problema fiscal brasileiro é estimular o crescimento da economia, não cortar gastos.
"O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo", disse o petista.
"Eu estou com 80 anos de idade, eu vivo isso há 50 anos, dessa briga: toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. Toda vez, é o povo pobre. Eu não quero que o povo pague", acrescentou.
Citando os resultados econômicos de seus primeiros mandatos, Lula afirmou que "o único jeito de você fazer o déficit, com relação à dívida, diminuir é crescer a economia, [e não] cortar [do] pobre".
"Eu sei o que é dívida. Eu sei que, se a gente perdeu o controle do nosso orçamento, a coisa quebra e vai quebrar do lado mais fraco", concluiu.
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