Apertem os cintos para a polarização
Desistência de Tarcísio de Freitas abre um cenário sombrio para as eleições presidenciais de 2026
A desistência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de entrar na disputa presidencial este ano traz profundas implicações para o cenário político brasileiro.
Na noite da quinta, 22, Tarcísio publicou nas redes sociais: "Sou pré-candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo e irei trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder. Qualquer informação diferente desta não passa de especulação. Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira para prestar o meu total apoio e solidariedade".
A saída de Tarcísio da corrida presidencial consagra Flávio Bolsonaro como o candidato que terá as bençãos de Jair Bolsonaro, e que portanto levará seu capital eleitoral.
Qualquer outro candidato de direita terá de se esmerar para conseguir mais de 35% dos votos no primeiro turno, que é o patamar de Flávio na pesquisa AtlasIntel divulgada esta semana, em um cenário sem Tarcísio de Freitas.
Diante desse sarrafo alto, alguns candidatos de direita poderão desistir.
Os teimosos que permanecerem na corrida terão de ter muita casca grossa para aguentar os ataques da tropa de choque bolsonarista, que não admite ceder a liderança na direita.
Com Lula e Flávio Bolsonaro, a campanha não será em torno do debate de projetos, mas em ataques raivosos e baixos.
Nesse ambiente polarizado, parecido com o de 2022, o que vai importar é elevar a rejeição do oponente, para inviabilizar sua vitória no segundo turno.
Haverá ainda consequências negativas para a economia.
Um dos fatores que estavam animando a Bolsa era a possibilidade de derrota de Lula.
Os investidores tinham esperanças de que um novo presidente seria mais responsável com as contas públicas e cortaria os gastos governamentais.
Dessa maneira, seria possível sonhar com uma queda nos juros e com uma retomada do setor privado.
Com Flávio se consagrando como o candidato da direita, a chance de reeleição de Lula aumenta.
Melhor apertar os cintos.
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