Anvisa cria regras para cultivo de cannabis medicinal
Brasil passa a permitir cultivo de cannabis medicinal sob regras da Anvisa, para estimular pesquisa, reduzir custos e facilitar tratamentos
A decisão da Anvisa que autoriza o cultivo de cannabis para fins medicinais no Brasil altera uma rotina marcada por liminares judiciais, importações caras e autorizações individuais concedidas caso a caso.
Ao regulamentar o plantio em território nacional, a agência responde a uma cobrança direta do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e transfere o tema para um terreno mais previsível do ponto de vista sanitário e jurídico.
Até agora, pacientes que dependem de produtos à base de cannabis enfrentavam prazos longos, custos elevados e forte exposição à variação do câmbio.
As novas regras detalham como empresas e associações poderão produzir a planta no país, desde o controle de sementes até a destinação final do extrato, com exigências semelhantes às aplicadas a outros insumos farmacêuticos. O objetivo é garantir rastreabilidade, padronização e segurança, pontos frequentemente citados pelo STJ ao tratar do assunto.
A mudança ocorre num momento em que o uso medicinal da cannabis já vinha ganhando espaço, mesmo sem cultivo autorizado, tendo aceitação cada vez maior de pacientes e médicos, sobretudo em tratamentos de epilepsia refratária, dor crônica, autismo e doenças neurológicas.
A indicação segue critérios clínicos específicos e não se confunde com uso recreativo, que permanece proibido.
O cultivo local, que não foi liberado para a população em geral, deve reduzir custos logísticos e aumentar a oferta, mas exige investimentos altos em segurança, controle ambiental e conformidade regulatória.
Associações de pacientes, que hoje operam sob decisões judiciais, passam a ter um caminho formal, embora com obrigações mais rígidas.
Outro efeito esperado é sobre a pesquisa científica. Com acesso regular à matéria-prima, universidades e centros de pesquisa ganham condições de ampliar estudos clínicos, algo limitado até aqui pela dependência de produtos importados.
A própria Anvisa cita a necessidade de acumular mais conhecimento técnico para embasar suas decisões futuras.
O ritmo de concessão das autorizações, a capacidade de fiscalização e a reação do mercado devem definir, nos próximos meses, como essa nova etapa da cannabis medicinal vai se materializar no cotidiano de pacientes e profissionais de saúde.
A questão da manipulação ainda deverá ser objeto de uma nova resolução, que será discutida pela Anvisa.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)