Alvo de Dino, ex-secretário é internado com paralisia facial
Defesa alega que teve apenas acesso parcial aos autos do processo envolvendo Raimundo Cutrim
O ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim foi internado nesta terça-feira, 13, em São Luís, após apresentar paralisia facial no lado esquerdo.
Segundo a defesa, os sintomas começaram na sexta-feira da semana passada. Ele está sob avaliação médica e, até o momento, não há diagnóstico confirmado de AVC.
Delegado aposentado da Polícia Federal, Cutrim ocupou duas vezes o cargo de secretário de Segurança Pública e foi deputado estadual por três mandatos. Mais recentemente, exerceu a função de secretário de Assuntos Legislativos no governo de Carlos Brandão (MDB).
Desde julho, Cutrim cumpre prisão domiciliar por determinação do ministro Flávio Dino (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), com tornozeleira eletrônica e restrições de comunicação, entre elas a proibição de gravar vídeos. A decisão, de 14 de julho, também determinou seu afastamento do cargo no governo estadual, em investigação relacionada ao caso Tech Office.
O ministro do STF argumentou que Cutrim tentou obstruir investigações relacionadas um crime de homicídio.
Dino e Cutrim são antigos adversários políticos no Maranhão. Antes da prisão, o ex-secretário publicou um vídeo no qual afirmou ter recebido informações de que pessoas próximas ao ministro estariam articulando sua prisão. Cutrim chamou Dino de inimigo.
O ex-secretário também foi apontado como fonte de uma reportagem do jornalista maranhense Luís Pablo sobre o suposto uso irregular de um veículo por Dino. O jornalista foi alvo de busca e apreensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. Em outro procedimento relacionado ao caso, Dino determinou a prisão domiciliar de Cutrim.
A defesa questiona a própria manutenção da prisão e afirma que os advogados não tiveram acesso integral aos autos do processo. Em julgamento virtual realizado em setembro, Moraes votou pela manutenção da medida e foi acompanhado pelos demais ministros que participaram da sessão.
Ao justificar o voto, Moraes afirmou que Cutrim “não apresentou qualquer argumento apto a desconstituir os fundamentos apontados”. A defesa contestou a afirmação em nota divulgada em 26 de setembro.
“Como desconstituir fundamentos aos quais a defesa não tem acesso?”, questionaram os advogados.
Segundo a defesa, somente em 7 de outubro, quase três meses depois da decretação da prisão, os advogados conseguiram consultar parcialmente documentos do processo. Até então, afirmam, decisões judiciais e outras informações sobre o caso chegavam à defesa por meio de reportagens da imprensa.
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