A rede de influência de Vorcaro no noticiário
Segundo o 'Uol', o ex-controlador do Master influenciou publicações nos sites Brazil Journal, PlatôBR, IstoÉ DCM, Carta Capital e Metrópoles
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o ex-controlador do Banco Master montou uma rede de influência em sites de notícias, jornais e revistas por meio de patrocínios e investimentos.
Segundo o Uol, Vorcaro influenciou publicações nos sites Brazil Journal, PlatôBR, IstoÉ DCM, Carta Capital e Metrópoles.
Como revelou o TV Pop, parceiro de O Antagonista, o banqueiro também mantinha um relacionamento promíscuo com Frederic Kachar, agora ex-executivo do grupo Globo.
Metrópoles
No Metrópoles, o contato de Vorcaro era com a CEO do grupo, Lilian Tahan.
Um levantamento do Uol indica que Lilian encaminhou previamente pelo menos 14 textos a Vorcaro, dos quais 11 foram alterados a pedido do banqueiro.
Vorcaro também teria solicitado a publicação de pelo menos duas reportagens no site de Luís Estevão.
Em uma conversa realizada em 1º de setembro de 2025, a CEO do Metrópoles enviou um perfil de Renato Gomes, diretor do Banco Central responsável por analisar a compra do Master pelo BRB, intitulado "Técnico ou político? Quem é Renato Gomes".
"Bom dia. Me diga o que acha", escreveu Lilian.
"Ficou muito bom. Eu retiraria a parte de falência do banco. E mencionaria que reportagens disseram que há um racha no Bacen e Renato estaria contra.
Eu não mencionaria BTG Pactual explicitamente. Diria que existem especulações de que após seu mandato que termina em outubro, estaria de malas prontas pra um dos bancões, que são os maiores opositores da transação Master - BRB", respondeu.
"Boa. Combinado", afirmou Lilian.
A CEO do Metrópoles reenviou o texto, reescrito com as orientações de Vorcaro, e disse: "Vamos publicar, ok??"
"Esta boa, minha única dúvida [é] se não vale a pena dizer que fontes dizem que ele é contra e tem um racha no Bacen", afirmou Vorcaro.
"Vale", replicou Lilian.
Ao Uol, Lilian Tahan disse que "checar com a fonte se a matéria reflete o contexto passado para o veículo é uma prática que adoto com personalidades empresariais, da política e do Judiciário".
Brazil Journal
As conversas apontam que Vorcaro era consultado diretamente pelo fundador do Brazil Journal, Geraldo Samor, sobre reportagens que faziam referência ao Master.
Em 5 de fevereiro de 2024, Samor enviou uma mensagem ao banqueiro, dizendo: "Flávio [Carneiro, amigo de Vorcaro] acaba de me mandar o texto. Vou trabalhar. Você quer isso publicado amanhã cedo?".
Vorcaro respondeu: "Pode ser quarta. Você quem sabe".
Na manhã seguinte, o ex-dono do Master escreveu: "A frase avenjda (sic) pra agronegócio vc pode tirar? Pq a bem da verdade que nao estao jndo (sic) bem nisso".
Samor respondeu: "ok".
Quando o Brazil Journal noticiou a compra do Will Bank, Vorcaro pediu: "Me faz um favor, tira o nome Voiter, vamos falar só que anunciamos reorganização societária".
"Mudei", respondeu Samor.
DCM
As mensagens indicam que o site de esquerda DCM (Diário do Centro do Mundo) recebia pagamentos para não publicar críticas a Vorcaro.
A sigla DCM, no entanto, foi citada pela Polícia Federal no relatório que embasou a terceira fase da Operação Compliance Zero.
Segundo o documento, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado por Vorcaro de “sicário”, explicou ao banqueiro o que faz com 1 milhão de reais por mês que recebe de Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master.
Para a PF, há “fortes indícios” de que o dinheiro remunerava “serviços ilícitos”.
Carta Capital
Já a Carta Capital tinha um patrocínio de cinco anos, assinado em 2021, com o Banco Máxima, que depois se tornou Master.
O banco adiantou o pagamento de 300 mil reais à revista em dezembro de 2020 para o pagamento de salários.
Em 16 de dezembro, Manuela Carta, diretora da revista, disse a Vorcaro que precisaria de "mais um recurso para a próxima folha de pagamentos" nos primeiros dias de janeiro de 2021.
Em agosto de 2023, a filha de Mino Carta e o ex-dono do Master se encontraram para discutir a eventual entrada dele no quadro societário da revista.
A negociação não se concretizou.
PlatôBR e IstoÉ
No PlatôBR, a influência ocorria por meio da Foone, empresa de Flávio Carneiro que era sócia do portal.
Após o anúncio da compra do Master pelo BRB, Carneiro disse a Vorcaro que enviaria a ele minutas para que o banqueiro analisasse antes da publicação.
Em agosto de 2025, Vorcaro afirmou a Carneiro: "Não deixa Platô falar de Ciro e Rueda", referindo-se aos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda.
O banqueiro também pediu que o PlatôBR atacasse Ricardo Cappelli, então pré-candidato ao governo do Distrito Federal.
"Tem que pegar o Platô e moer esse Cappelli", afirmou.
"Vamos desancar esse desgraçado", continuou.
Carneiro também era investidor de IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, publicações controladas pela Entre Investimentos e Participações, de Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro.
Freixo Júnior é apontado pela PF como operador financeiro de Vorcaro.
Em fevereiro de 2024, o banqueiro encomendou uma capa da IstoÉ Dinheiro sobre a farmacêutica Biomm.
"Está assinada a parceria com uma empresa indiana pra fazer o biosimilar. Processo ta na Anvisa. A patente do ozempic cai em 2026. Iremos produzir assim que cair. Merece uma matéria só disso. Vamos fazer uma capa IstoÉ Dinheiro com a Biomm. E colocar o Walfrido falando também."
"Exatamente. Puuuuuta deal", respondeu Carneiro.
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