A reação da indústria brasileira ao 'tarifaço' de Trump
A CNI avalia que o momento é de reforçar o diálogo com os Estados Unidos

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse ter recebido com "preocupação e cautela" o anúncio de tarifas adicionais de 10% sobre os produtos brasileiros, realizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira, 2.
Enquanto líderes globais estudam medidas de retaliação ao 'tarifaço' de Trump, a instituição defende uma análise detalhada da situação e o diálogo com o governo americano para preservar a "relação bilateral histórica e complementar" entre Brasil e EUA.
"Claro que nos preocupamos com qualquer medida que dificulte a entrada dos nossos produtos em um mercado tão importante quanto os EUA, o principal para as exportações da indústria brasileira. No entanto, precisamos fazer uma análise completa do ato. É preciso insistir e intensificar o diálogo para encontrar saídas que reduzam os eventuais impactos das medidas", disse o presidente da CNI, Ricardo Alban.
As tarifas adicionais anunciadas por Trump, que entrarão em vigor no sábado, 5, afetarão todos os países que mantém relações comerciais com os EUA.
Para China, União Europeia e Japão, parceiros comerciais em relação aos quais os EUA têm os maiores déficits, foram anunciadas mais altas a partir de 9 de abril.
No caso do aço e alumínio, cujas tarifas foram anunciadas em fevereiro, prevalecerá a tarifa de 25%, assim como para veículos e autopeças.
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Indústria de transformação
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras da indústria de transformação, especialmente de produtos de maior intensidade tecnológica.
Em 2024, a indústria de transformação brasileira exportou 31,6 bilhões de dólares em produtos para os EUA.
A CNI fez uma lista dos produtos mais exportados pelo Brasil aos EUA:
- Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos;
- Outros produtos semimanufaturados, de ferro ou aços, não ligados, contendo em peso < 0,25% de carbono, de seção transversal retangulares;
- Ferro fundido bruto não ligado, contendo, em peso <= 0,5% de fósforo;
- Café não torrado, não descafeinado;
- Aviões e outros veículos aéreos, de peso > 15.000 kg, vazios;
- Pasta química de madeira de não conífera, à soda ou sulfato, semibranqueada ou branqueada;
- Produtos semimanufaturados, de outras ligas de aços;
- Outros óleos de petróleo ou de minerais betuminosos e preparações, exceto desperdícios;
- Aviões e outros veículos aéreos, de peso > 2.000 kg e <= 15.000 kg, vazios;
- Bulldozers e angledozers, de lagartas, autopropulsores;
- Carregadoras e pás carregadoras, de carregamento frontal, autopropulsores;
- Carnes de bovino, desossadas, congeladas;
- Madeira de coníferas, perfilada;
- Óleos leves e preparações;
- Preparações alimentícias e conservas, de bovinoso;
- Minérios de ferro aglomerados e seus concentrados;
- Óxidos de alumínio, exceto corindo artificial;
- Sucos de laranja não congelados, não fermentados, com valor Brix;
- Outras partes para motores diesel ou semidiesel;
- Niveladores.
De 20 itens analisados, os EUA são os principais compradores em 13.
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Comentários (1)
Amaury G Feitosa
2025-04-03 11:21:44O comércio é instrumento de mão dupla desde que inventado pelos fenícios há milhares de anos, assim os americanos defendem seus interesses e tarifam à luz deles cabendo a nós fazer o mesmo se serena e justa reciprocidade, sem o besteirol ridículo e manipulador de imbecis que não enxergam um palmo adiante de seus podres narizes.