A ferida aberta está no Irã, não no Brasil
Ao ganhar o Globo de Ouro, ator Wagner Moura disse que "a ditadura militar ainda é muito presente na vida cotidiana brasileira"
Ao celebrar o Globo de Ouro de melhor filme em língua inglesa e de melhor ator, Wagner Moura (foto) pediu mais filmes sobre ditadura no Brasil.
"Eu acho que a gente precisa continuar fazendo filmes sobre a ditadura. A ditadura ainda é uma ferida aberta na vida brasileira. Isso aconteceu há apenas 50 anos. Nós recentemente tivemos, de 2018 até 2022 um presidente de extrema-direita/fascista que foi uma manifestação física dos ecos da ditadura. Então a ditadura militar ainda é muito presente na vida cotidiana brasileira. Então temos que continuar fazendo filmes sobre isso", disse Moura.
A ditadura brasileira acabou em 1985. Desde então, ocorreram nove eleições presidenciais diretas.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi acusado e condenado por uma tentativa de golpe de Estado em 2022. Não conseguiu o que queria porque os comandantes do Exército e da Aeronáutica se negaram a impedir a posse de Lula.
O episódio mostra como não há mais o risco de um golpe de Estado por militares. E não se consegue dar um golpe de Estado sem as Forças Armadas.
Além de serem fiéis à Constituição de 1988, nossos comandantes não querem pegar um abacaxi para descascar.
O maior risco à democracia brasileira hoje não vem da caserna.
Vem do Supremo Tribunal Federal (STF), em que alguns ministros atuam sem qualquer compromisso ético e tentam calar vozes que criticam a Corte.
Vem do Palácio do Planalto, que comanda o país com políticas assistencialistas e total desprezo pelas contas públicas.
Vem do Legislativo, que se locupleta com emendas parlamentares.
Esquerda X direita
O tema da ditadura brasileira só não saiu de cartaz porque políticos de esquerda buscam o tempo todo pintar toda a direita como antidemocrática e pró-ditadura.
É uma simplificação grosseira que ignora o pluralismo de ideias e as costuras políticas em Brasília, que envolvem todo o espectro ideológico.
A hipocricia suprema é que essa mesma esquerda não se importa com as feridas abertas pelas ditaduras atuais.
Até essa segunda, 12, o Itamaraty não tinha soltado uma única nota sobre os mais de 500 iranianos mortos a mando do líder supremo Ali Khamenei. Contudo, publicou uma nota sobre a premiação do filme O Agente Secreto.
Lula nunca fez qualquer condenação às violações dos direitos humanos na Venezuela por Hugo Chávez ou Nicolás Maduro.
E também não pediu a liberação imediata dos mais de 800 presos políticos, que tem sido feita a conta-gotas pelo regime.
O petista ainda faz o possível para ficar de bem com o russo Vladimir Putin, que reprime a própria população e segue com a invasão da Ucrânia.
Ao contrário da ditadura militar brasileira, que se foi há 41 anos, essas ditaduras estão muito presentes no cotidiano da população.
Se há feridas abertas da ditadura, elas não estão no Brasil, mas na Rússia, no Irã e na Venezuela.
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Comentários (1)
André Luis dos Santos
2026-01-12 19:55:07Excelente. Uma pena que a classe artística brasileira está dominada por CANALHAS como WM.