Crusoé
16.01.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
    • Entrevistas
    • O Caminho do Dinheiro
    • Ilha de Cultura
    • Leitura de Jogo
    • Crônica
    • Colunistas
    • Assine já
      • Princípios editoriais
      • Central de ajuda ao assinante
      • Política de privacidade
      • Termos de uso
      • Política de Cookies
      • Código de conduta
      • Política de compliance
      • Baixe o APP Crusoé
    E siga a Crusoé nas redes
    Facebook Twitter Instagram
    Diários

    A estética da captura e a ilusão da ruptura na Venezuela

    Transições mal conduzidas frequentemente resultam em vácuos institucionais, disputas internas e prolongamento do sofrimento da população

    avatar
    Magno Karl
    5 minutos de leitura 16.01.2026 09:34 comentários 0
    Nicolás Maduro. Foto: Casa Branca
    • Whastapp
    • Facebook
    • Twitter
    • COMPARTILHAR

    A imagem de Nicolás Maduro capturado por uma operação americana correu o mundo como um símbolo de ruptura de um regime atroz.

    Para parte da opinião pública internacional, a cena parecia anunciar o fim de um dos governos mais longevos e repressivos da América Latina. O impacto visual foi imediato. O efeito político, no entanto, foi mais limitado do que a estética da operação sugeria.

    Passado o choque inicial, o fato central permanece: o regime chavista não caiu.

    A estrutura de poder segue intacta, a repressão política continua ativa e presos políticos seguem encarcerados.

    O comando do Estado foi reorganizado internamente, com a ascensão de uma vice-presidente eleita em um processo amplamente questionado, sem que tenha havido qualquer transição democrática efetiva. A captura produziu imagens, mas não ruptura.

    Essa dissociação entre símbolo e realidade revela um problema recorrente na análise de intervenções externas: a crença de que a remoção de um líder autoritário equivale, automaticamente, ao colapso do regime que ele encarna.

    No caso venezuelano, essa leitura esbarra em mais de duas décadas de erosão institucional, captura do Estado e destruição sistemática de freios e contrapesos. O chavismo não é um governo ou um ditador, é uma engrenagem de poder profundamente enraizada.

    A crise venezuelana é, antes de tudo, um colapso fabricado internamente.

    Não foi causada por guerras, catástrofes naturais ou invasões estrangeiras, mas por escolhas políticas: autoritarismo, estatizações predatórias, corrupção sistêmica e destruição dos mecanismos de mercado.

    O resultado foi uma derrocada econômica sem precedentes e uma crise humanitária expressa no êxodo de milhões de venezuelanos.

    Nesse contexto, a operação americana tampouco pode ser interpretada como um projeto de redemocratização.

    O discurso de Washington deixa claro que não há, ao menos no curto prazo, uma estratégia de reconstrução institucional ou de “nation building”.

    A ação se insere em uma nova lógica de política externa, marcada por interesses estratégicos, energéticos e pela reorganização de zonas de influência no mundo.

    Isso não significa ignorar o caráter autoritário do regime de Maduro ou relativizar os crimes cometidos.

    O regime venezuelano acumula denúncias robustas de violações de direitos humanos e investigações em instâncias internacionais.

    A questão central, porém, é outra: a substituição de uma liderança autoritária, sem um plano claro de transição, tende a produzir instabilidade sem necessariamente resultar em reconstrução da democracia — por vezes, o que acontece é ainda mais repressão.

    A experiência comparada mostra que transições mal conduzidas frequentemente resultam em vácuos institucionais, disputas internas e prolongamento do sofrimento da população.

    Democracias não emergem por decreto externo. Exigem reconstrução institucional, eleições livres e verificáveis, coordenação internacional e capacidade mínima de governança — elementos que ainda não estão dados na Venezuela.

    Do ponto de vista regional, a operação também gera inquietação. Ao sinalizar disposição para intervenções diretas em países soberanos com base em justificativas de segurança ou interesse econômico, os Estados Unidos reforçam incertezas já elevadas na América Latina.

    Para países da região, isso implica a necessidade de recalibrar políticas externas, diversificar alianças e lidar com um ambiente internacional cada vez mais orientado pela força, e menos por normas compartilhadas.

    Para o Brasil, o episódio expõe contradições adicionais. Ao mesmo tempo em que não reconheceu a legitimidade eleitoral de Maduro em momentos recentes, o país passou a reconhecer politicamente os efeitos desse mesmo processo ao aceitar sua sucessora.

    Essa ambiguidade enfraquece a posição diplomática brasileira e contribui para normalizar a continuidade de um regime ilegítimo.

    Nada disso apaga um dado essencial: para muitos venezuelanos, a captura de Maduro teve um significado profundamente humano.

    Não como solução, mas como sinal de esgotamento de um ciclo de autoritarismo que parecia interminável. O desafio, agora, é impedir que esse momento se esgote na estética da ruptura e seja seguido por mais um ciclo de frustração.

    A Venezuela não precisa de símbolos vazios nem de tutelas externas permanentes.

    Precisa de instituições, legitimidade política e condições concretas para que sua população volte a viver com dignidade.

    Sem isso, a captura de um homem corre o risco de se tornar apenas mais um episódio espetacular em uma longa história de continuidade autoritária.

     

    Magno Karl é analista político e diretor-executivo do Livres

    Instagram: @magnokarl

    X: @omagnokarl

     

    As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

    Diários

    Magno Malta rebate Moraes: "Satisfez o próprio ego e agradou a esquerda"

    Redação Crusoé Visualizar

    “Fiz o que eu tinha que fazer”, diz Moraes após transferência de Bolsonaro

    Redação Crusoé Visualizar

    Moro defende domiciliar para Bolsonaro: "Necessidade de cuidados especiais"

    Redação Crusoé Visualizar

    María Corina merece um segundo Nobel da Paz

    Duda Teixeira Visualizar

    O recuo de Trump no Irã

    José Inácio Pilar Visualizar

    E María Corina deu mesmo o Nobel da Paz para Trump

    Redação Crusoé Visualizar

    Mais Lidas

    A ferida aberta está no Irã, não no Brasil

    A ferida aberta está no Irã, não no Brasil

    Visualizar notícia
    Abra o bico, Maduro!

    Abra o bico, Maduro!

    Visualizar notícia
    Enviado de Trump anuncia segunda fase do acordo de paz para Gaza

    Enviado de Trump anuncia segunda fase do acordo de paz para Gaza

    Visualizar notícia
    EUA vão suspender processamento de vistos de 75 países

    EUA vão suspender processamento de vistos de 75 países

    Visualizar notícia
    Europa envia tropas à Groenlândia

    Europa envia tropas à Groenlândia

    Visualizar notícia
    Maioria acha que Lula errou ao condenar captura de Maduro, indica pesquisa

    Maioria acha que Lula errou ao condenar captura de Maduro, indica pesquisa

    Visualizar notícia
    Mais de 388 milhões de cristãos foram perseguidos em 2025, aponta ONG

    Mais de 388 milhões de cristãos foram perseguidos em 2025, aponta ONG

    Visualizar notícia
    Para Itamaraty, o problema no Irã é Trump

    Para Itamaraty, o problema no Irã é Trump

    Visualizar notícia
    "Se Maduro não quiser passar o resto da vida na prisão, vai ter que negociar"

    "Se Maduro não quiser passar o resto da vida na prisão, vai ter que negociar"

    Visualizar notícia
    Trump não está convencido sobre Reza Pahlavi

    Trump não está convencido sobre Reza Pahlavi

    Visualizar notícia

    Tags relacionadas

    Donald Trump

    Estados Unidos

    Nicolás Maduro

    Venezuela

    < Notícia Anterior

    María Corina merece um segundo Nobel da Paz

    16.01.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
    Visualizar
    Próxima notícia >

    Moro defende domiciliar para Bolsonaro: "Necessidade de cuidados especiais"

    16.01.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
    Visualizar
    author

    Magno Karl

    Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

    Comentários (0)

    Torne-se um assinante para comentar

    Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

    Comentários (0)


    Notícias relacionadas

    Magno Malta rebate Moraes: "Satisfez o próprio ego e agradou a esquerda"

    Magno Malta rebate Moraes: "Satisfez o próprio ego e agradou a esquerda"

    Redação Crusoé
    16.01.2026 10:40 2 minutos de leitura
    Visualizar notícia
    “Fiz o que eu tinha que fazer”, diz Moraes após transferência de Bolsonaro

    “Fiz o que eu tinha que fazer”, diz Moraes após transferência de Bolsonaro

    Redação Crusoé
    16.01.2026 09:53 3 minutos de leitura
    Visualizar notícia
    Moro defende domiciliar para Bolsonaro: "Necessidade de cuidados especiais"

    Moro defende domiciliar para Bolsonaro: "Necessidade de cuidados especiais"

    Redação Crusoé
    16.01.2026 09:50 3 minutos de leitura
    Visualizar notícia
    María Corina merece um segundo Nobel da Paz

    María Corina merece um segundo Nobel da Paz

    Duda Teixeira
    16.01.2026 09:15 3 minutos de leitura
    Visualizar notícia
    Crusoé
    o antagonista
    Facebook Twitter Instagram

    Acervo Edição diária Edição Semanal

    Redação SP

    Av Paulista, 777 4º andar cj 41
    Bela Vista, São Paulo-SP
    CEP: 01311-914

    Acervo Edição diária

    Edição Semanal

    Facebook Twitter Instagram

    Assine nossa newsletter

    Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

    Crusoé, 2026,
    Todos os direitos reservados
    Com inteligência e tecnologia:
    Object1ve - Marketing Solution
    Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso