A Meta lançou nesta semana uma atualização de software para seus óculos inteligentes com inteligência artificial que interrompe automaticamente a gravação de vídeo no instante em que o sistema detecta que a luz de LED indicadora de privacidade foi coberta pelo usuário.
A medida, confirmada publicamente pelo vice-presidente de realidade aumentada da empresa, Alex Himel, é a mais recente numa série de ações implementadas nos últimos meses para coibir o uso do dispositivo para filmar pessoas sem seu conhecimento, o que vem gerando diversas reclamações de assédio em espaços públicos.
O que a atualização corrige?
No mecanismo anterior, enquanto a luz LED frontal estivesse visível, a gravação era permitida; se o LED fosse adulterado fisicamente, a câmera se desativava. O problema é que a verificação ocorria apenas no momento da inicialização, e isso abriu uma brecha, pois bastava o usuário iniciar a gravação com o LED visível e, em seguida, tapar a luz.
Com a nova atualização, a Meta passou a monitorar continuamente o estado do LED durante toda a sessão de gravação. Assim que o sensor percebe que a luz foi obstruída, a captação de imagem é interrompida imediatamente, independentemente de quando a obstrução tenha ocorrido.
Vale destacar também que a Meta esclareceu que o LED frontal não possui botão de desligar nem qualquer modo de ocultação legítima. Durante a captura de fotos, a luz pisca rapidamente; durante a gravação de vídeo, permanece acesa de forma contínua.
A empresa afirmou ter avaliado alternativas adicionais para sinalizar a gravação, como aumentar o volume de um aviso sonoro ou exibir uma notificação visual em outros dispositivos, mas descartou essas opções, mantendo apenas um som em volume baixo, perceptível primariamente para o próprio usuário.
Óculos Meta e privacidade
A polêmica sobre o uso dos óculos inteligentes para filmar discretamente ganhou força desde o lançamento do produto, com relatos de assédio em cafés, transportes públicos e eventos sociais, o que levou o acessório a receber o apelido de “perv glasses” (óculos pervertidos) em alguns países.
Críticos argumentam que a presença de câmeras vestíveis altera a dinâmica de interação em espaços compartilhados, enquanto defensores apontam que a tecnologia tem usos legítimos, como documentação, acessibilidade e criação de conteúdo.
A Meta tem enfatizado que suas atualizações buscam preservar o uso legítimo do dispositivo enquanto eliminam as vias de uso malicioso, sem restringir funcionalidades para todos os usuários.
A empresa não divulgou dados quantitativos sobre a redução de casos de uso ilícito, mas afirmou internamente que as medidas “já estão surtindo efeito para reduzir usos ilícitos do gadget”.








