O América-MG recebeu de um fundo árabe uma proposta para comprar sua Sociedade Anônima de Futebol (SAF), em um negócio que pode chegar a R$ 1,03 bilhão.
A Global Seven Eleven Energy Oil FZ-LLC, com sedes em Dubai e Gana, apresentou a oferta, que será debatida pelo Conselho Consultivo do clube mineiro.
A proposta prevê investimento mínimo de R$ 800 milhões ao longo de dez anos, embora o aporte inicial do fundo seja de apenas R$ 20 milhões.
Além disso, os investidores árabes assumiriam as dívidas do clube, de até R$ 197 milhões, e ficariam com 80% da participação acionária da SAF.
Proposta de investimento do fundo árabe para o América-MG
Os possíveis investidores planejam construir um novo estádio dedicado ao futebol feminino e às categorias de base na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com capacidade para cerca de 15 mil pessoas.
O projeto também inclui um Museu do América no Independência, com investimento limitado a R$ 13 milhões.
O CT Lanna Drumond seria transferido para a América SAF e poderia ser vendido, desde que os valores fossem reinvestidos em atividades desportivas e na construção de um novo centro de treinamentos na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
No CT de Santa Luzia, a proposta prevê uma parceria comercial para exploração conjunta com um projeto imobiliário.
O fundo ficaria com 80% do Valor Geral de Venda (VGV), e o clube, com 20%.
O Estádio Independência seria cedido à SAF por 35 anos, prorrogáveis por mais 35, com os resultados econômicos divididos igualmente entre as partes.
Um parecer técnico-jurídico identificou 25 pontos de risco na estrutura do negócio.
Segundo a análise, grande parte do investimento prometido viria das próprias receitas do clube, como patrocínios e faturamentos comerciais, em vez de um aporte direto do fundo.
As receitas anuais projetadas do América, de R$ 70 milhões, seriam computadas como parte do investimento por meio de uma cláusula de “Geração de Recursos”.
O documento também alertou para a falta de um cronograma de pagamentos das dívidas que o fundo assumiria e para a possibilidade de esses passivos se tornarem parte do investimento dos compradores.
O parecer apontou ainda a ausência de um plano mínimo inicial de manutenção e investimento no Estádio Independência, apesar da cessão prevista na proposta por 35 anos, prorrogáveis por mais 35.
Próximos passos e recomendações
O fundo árabe tem sete dias para apresentar as garantias necessárias à aquisição.
O clube precisará contratar uma pessoa jurídica sediada em Dubai para analisar a documentação.
Caso a análise identifique irregularidades, o América-MG poderá desistir do negócio sem ônus.
Apesar das ressalvas, o parecer técnico-jurídico sugeriu dez pontos “inegociáveis” e recomendou manter as conversas com os possíveis investidores, com a apresentação de uma contraproposta detalhada.
O Conselho Consultivo também recomendou não assinar o documento nas condições apresentadas.








