A iniciativa de substituir parte dos funcionários por IAs, batizada de Projeto OT, ficou a poucas horas de entrar em prática, mas Zuckerberg recuou da segunda onda de reestruturação planejada.
A ideia nasceu em um retiro de liderança no Havaí, em janeiro, reunindo o presidente-executivo e seus principais colaboradores.
Do retiro saiu o plano de uma empresa em que exércitos de trabalhadores virtuais fariam a maior parte das tarefas diárias, supervisionados por equipes humanas enxutas.
Documentos internos divulgados recentemente pela Reuters mostram que a reestruturação avançou até a véspera de sua execução.
Na noite de 19 de maio, poucas horas antes de a primeira leva de demissões em massa, Zuckerberg decidiu recuar do plano original, segundo a agência de notícias.
O plano de Mark Zuckerberg e sua concepção
Times pequenos e “ricos em talentos” ficariam no comando de supervisionar exércitos de trabalhadores virtuais (IAs) dentro da dona do Facebook e do Instagram.
Essa lógica estava no centro do Projeto OT, sigla para Transformação Organizacional, segundo documento interno de planejamento e três pessoas com conhecimento direto da iniciativa.
Simulações de cenários apontaram a possibilidade de encolher muitas equipes em até 60%, segundo duas dessas fontes da Reuters.
Parte dos funcionários poderia migrar para as novas unidades de inteligência artificial, enquanto outros seriam desligados.
Duas ondas de cortes estavam previstas em outro documento interno: a primeira em maio, com demissões em massa, e a segunda em novembro, com uma nova reorganização.
Vagas em aberto seriam canceladas, e funcionários já classificados como de baixo desempenho sairiam junto com o pacote de cortes.
A etapa de novembro foi cancelada, segundo o documento interno.
Zuckerberg abandonou os planos de aprofundar a redução de pessoal antes de definir o número total de desligamentos previstos para a segunda fase.
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A insatisfação cresceu dentro da empresa, e fontes internas disseram que os funcionários estavam convencidos de que as iniciativas de IA tinham, em parte, o objetivo de substituí-los nas próprias funções.
Um fator técnico agravou o cenário: dados internos sugeriam que os agentes autônomos que sustentavam a estratégia não geravam os ganhos de produtividade esperados.
Essa combinação de resistência interna, desempenho técnico aquém do esperado e questionamentos de investidores pesou mais do que o entusiasmo inicial de Zuckerberg pelo Projeto.
A empresa negou que a intenção fosse demitir 60% de toda sua força de trabalho e disse ter cancelado a segunda fase antes de definir quantas pessoas seriam desligadas ao todo.
Cerca de 7 mil funcionários foram realocados para novas iniciativas relacionadas a fluxos de trabalho de IA depois da onda de cortes de maio.








