A Volkswagen prepara o que pode ser a maior reestruturação de sua história. Em memorando interno distribuído a executivos e funcionários, o CEO Oliver Blume admitiu que a empresa não consegue garantir a viabilidade competitiva de quatro fábricas na Alemanha até a década de 2030, o que abre espaço para o fechamento das unidades.
As plantas sob avaliação são Hannover, Emden e Zwickau, todas da marca principal, e Neckarsulm, unidade da Audi. O plano, batizado de “Target Vision 2030“, prevê o corte de até 100 mil postos de trabalho no mundo inteiro.
Problemas para fechar a conta
A montadora atribui a decisão a dois fatores: a ofensiva das fabricantes chinesas, lideradas pela BYD, e o custo de produção na Alemanha, que a empresa estima em 20% acima do praticado pelos concorrentes asiáticos.
“Não temos como confirmar cenários competitivos viáveis para essas unidades”, escreveu Blume no documento, segundo fontes internas da empresa.
O plano inclui a redução da produção de cerca de 11 milhões para 9 milhões de veículos por ano, a metade da atual linha de modelos de automóveis, um corte de 15% nos investimentos nos próximos cinco anos (cerca de US$ 148 bilhões), e a venda de ativos, entre eles a unidade de motores marítimos Everllence.
Choque com os sindicatos
A revelação acabou reacendendo e até intensificando ainda mais um conflito da empresa com os sindicatos que representam os trabalhadores que atuam nas fábricas. No caso, em 2024, a empresa firmou acordo com os sindicatos garantindo que não fecharia fábricas no país, compromisso que agora está em xeque.
Nesta semana, Blume esteve na fábrica de Emden, uma das unidades ameaçadas, e alertou os trabalhadores de que os custos ainda são “altos demais” em comparação aos concorrentes. A direção agora precisa convencer os representantes sindicais a aceitarem um programa de cortes mais profundo, sob risco de paralisações e protestos.
Para isso, representantes da empresa estão realizando reuniões extraordinárias com os trabalhadores e sindicalistas, buscando acordos para desligamentos e corte de custos.








