O Paraguai enfrenta nesta quarta-feira uma dupla paralisação nacional que colapsou serviços essenciais. Enquanto a rede pública de saúde opera apenas em regime de emergência devido a uma greve indefinida de médicos, o departamento de Canindeyú registra caos no trânsito com bloqueios totais protagonizados por taxistas.
Greve dos médicos
A greve dos médicos, liderada pelo Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed), entrou em seu terceiro dia sem perspectiva de acordo. O que começou como uma paralisação de cinco dias foi convertida em tempo indeterminado após o fracasso de quatro rodadas de negociações.
Devido a isso, mais de 1.500 centros de saúde suspenderam consultas de rotina e cirurgias programadas. Apenas emergências, UTIs e diálises permanecem ativos. Em suas reivindicações, a categoria exige um reajuste salarial de 76% e a efetivação de 9.000 médicos contratados temporariamente.
No entanto, o governo, representado pelo ministro da Economia, Óscar Lovera, rejeitou a demanda, alegando que aderir às reivindicações, o que daria um custo anual de US$ 100 milhões ao governo, inviabilizaria o orçamento nacional.
A ministra da Saúde, María Teresa Barán, avaliza a proposta de um “plano de carreira” baseado em desempenho, oferta considerada insuficiente pelos grevistas. Vale destacar também que hospitais do Instituto de Previdência Social (IPS) não foram afetados e mantêm atendimento normal.
Protesto dos taxistas
Simultaneamente, a região fronteiriça de Canindeyú tornou-se palco de intensos protestos de taxistas contra um projeto de lei da Direção Nacional de Transporte (Dinatran). No caso, membros da categoria fecharam seis pontos estratégicos nas rodovias PY03 e PY07, incluindo acessos a Salto del Guairá e Curuguaty.
O motivo disso é que os motoristas contestam a legislação que proibiria o transporte de passageiros entre diferentes distritos, limitando os táxis aos seus municípios de origem. Segundo Bruno Santander, presidente do sindicato, a medida eliminaria uma fatia crucial da renda da categoria, que depende de viagens interurbanas.
Cerca de 130 manifestantes em Curuguaty alertaram que intensificarão os bloqueios se o Congresso não intervir para arquivar ou modificar o projeto.
Reação do governo
Até o fechamento desta matéria ainda não houve confirmação oficial sobre resultados e possíveis negociações entre o Sinamed e a equipe econômica, nem sobre a liberação das rodovias bloqueadas.
De acordo com analistas, a pressão sob as autoridades federais do Paraguai está em alta, com a saúde pública e o abastecimento regional “sufocados” pela greve dos médicos e bloqueios dos taxistas.








